Por bianca.lobianco

Rio - O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro José Mariano Beltrame assegurou, na manhã desta quarta-feira, que não fará nenhuma alteração no comando geral da Polícia Militar. A afirmação foi feita por conta do escândalo do esquema de propina envolvendo 24 homens da corporação na região do 14º BPM (Bangu) que veio à tona nesta segunda-feira. O comandante-geral da PM, coronel José Luís Castro de Menezes, vai continuar no cargo.

José Mariano Beltrame diz que não haverá troca no comando geral da PMSeverino Silva / Agência O Dia


Beltrame esteve no 20º BPM (Mesquita), na cerimônia em que foram incorporados 200 PMs e 50 viaturas que atenderão os municípios de Mesquita, Nova Iguaçu e Nilópolis. Ele informou que o objetivo é reforçar a segurança da região da Baixada Fluminense por conta do crescimento do índice de criminalidade. "Esse reforço só está sendo possível porque o Exército conrtinuará na Maré".

Questionado sobre a onda de arrastões que ocorreram nas praias da Zona Sul no último final de semana, Beltrame foi enfático ao dizer que "a questão de segurança pública não depende apenas da polícia". "Muitas vezes a polícia prende, mas a Justiça solta. Neste final de semana, nos arrastões das praias, foram presos 30 suspeitos, mas apenas seis continuaram detidos", concluiu.

O coronel José Luís Castro de Menezes também esteve presente na cerimônia e falou sobre a prisão do ex-comandante do Comando de Operações Especiais (COE), coronel Alexandre Fontenelle, preso nesta terça-feira, também envolvido no esquema de propina. "Estou a vontade no cargo. Ficarei até o dia que eu for designado para essa função. Na segunda-feira, quando estourou a questão (Operação Amigos S/A), não tinha nada que levantasse suspeita na ficha do Fontenelle", informou.

Viaturas da PM atenderão os municípios de Nova Iguaçu%2C Mesquita e NilópolisSeverino Silva / Agência O Dia

Agentes recolhem comprovantes de depósitos de R$ 2 milhões na casa de coronel

Acusado de ser o chefe de uma ‘sociedade empresária da propina’, o ex-comandante do Comando de Operações Especiais (COE), coronel Alexandre Fontenelle, é também investigado por patrimônio milionário. Na casa dele, agentes da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança apreenderam comprovantes de depósitos bancários de altos valores. Só dois eram equivalentes a R$ 2 milhões, na conta de um parente oficial do Exército. Ontem, Fontenelle, que tem salário de mais de R$ 32 mil e está preso, foi exonerado do COE. Em seu lugar assume o coronel Rogério Luiz Teixeira Leitão.

Prédio onde o ex-comandante Alexandre Fontenelle foi detido%2C no Leme. Preço médio de um apartamento no local é de R%24 1%2C5 milhãoUanderson Fernandes / Agência O Dia

Estão presos os 25 denunciados à Justiça — entre eles cinco oficiais — por envolvimento no megaesquema de corrupção na operação batizada de Amigos S/A, da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público. Na manhã desta terça-feira, o major Edson Alexandre Pinto de Góes se entregou na 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), no Méier.

Durante a operação, na segunda-feira, foram encontrados na casa de Góes, subcomandante do COE, R$ 287 mil e joias. O mototaxista José Ricardo de Jesus Oliveira, único do esquema que não era PM, também foi preso ontem, na Vila Aliança. Impressiona o volume de dinheiro movimentado por Fontenelle, segundo as investigações. Comprovantes bancários revelam, em dois extratos, depósitos que somados chegam a R$ 2 milhões, além de outros de R$ 150 mil, R$ 20 mil e R$ 10 mil.

No apartamento de Fontenelle no Leme, em nome da mãe dele e estimado em R$ 1,5 milhão, foram apreendidas anotações com lista de imóveis nos valores de R$ 2 milhões. Suspeita-se que ele procurava cobertura no condomínio Mandarim e Península, na Barra, além de ser dono de mansão fora do Rio. Sem dar detalhes do material, o subsecretário de Inteligência da Seseg, Fábio Galvão, informou que os documentos serão encaminhados à Corregedoria Geral Unificada (CGU) e à 1ª Vara Criminal de Bangu.

Coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira (cabeça raspada) ex-comandante do COE%2C foi preso na manhã desta segunda%2C em sua casa%2C no Leme%2C Zona SulDivulgação / Vivian Fernandez / MPRJ

“Será instaurada sindicância para verificar a incompatibilidade entre o que ele recebia e o patrimônio”, explicou Galvão. Com isso, o oficial deverá ter seus sigilos bancário e telefônico quebrados. A investigação pode constatar ainda lavagem de dinheiro e subsidiar ação de improbidade administrativa, com devolução de parte dos valores aos cofres públicos.

“Todos os militares poderão responder por concussão (extorsão praticada por servidor público)”, explicou o promotor Cláudio Calo, do Gaeco. Segundo ele, será investigado ainda o período de Fontenelle à frente do BPM 41º (Irajá) no período de 2010 a 2012, e também a passagem do oficial pelo Batalhão de Policiamento de Vias Especiais (BPVE). Foi aberto Inquérito Policial Militar para apurar o envolvimento dos policiais no esquema. Eles serão submetidos a processo administrativo disciplinar, que pode resultar na exclusão da corporação.

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