Por thiago.antunes

Rio - O comando da Polícia Militar determinou a exclusão de nove policiais militares acusados de envolvimento na morte da juíza Patrícia Acioli, em 2011. A decisão foi publicada nesta terça, no boletim interno da corporação. No entanto, o texto foi divulgado à imprensa nesta quarta-feira. De acordo com a decisão, os policiais "assumiram condutas opostas as defendidas pela corporação e feriram os ensinamentos ministrados pela Polícia Militar".

Os policiais excluídos são o sargento Charles de Azevedo Tavares, os cabos Alex Ribeiro Pereira, Jeferson de Araújo Miranda, Sammy dos Santos Quintanilha Cardoso, Sergio Costa Junior, Carlos Adílio Maciel Santos, Jovanis Falcão Junior e os soldados Junior Cezar de Medeiros e Handerson Lents Henriques da Silva. O tenente-coronel Cláudio Oliveira, comandante do 7º BPM (São Gonçalo) na época do crime e acusado de ser o mandante do assassinato, e o tenente Daniel Santos Benitez Lopez, apontado como homem de confiança de Oliveira, continuam na corporação.

Juíza foi morta a tiros quando chegava em casa. Tenente-coronel acusado de ser o mandante e homem de confiança continuam na corporaçãoReprodução Internet

Altos salários após morte

Cláudio Oliveira recebe remuneração bruta R$ 26.295,02. O equivalente a mais de R$ 946 mil nos 36 meses depois da morte da juíza. A Polícia Militar informou que o valor recebido foi bem inferior ao que consta no Portal Transparência do governo estadual. Segundo a corporação, o salário líquido dele neste mês foi de R$ 5.869,47, levando em consideração descontos e perdas de gratificações.

Em nota, o Tribunal de Justiça informou que todos os réus tiveram decretada a perda de suas funções públicas após a sentença. Mas a PM alegou ainda não ter sido informada pela Justiça. Em março deste ano, o tenente-coronel Cláudio foi condenado pela 3ª Vara Criminal de Niterói a uma pena de 36 anos em regime fechado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado — por motivo torpe, mediante emboscada e para assegurar a impunidade de outros crimes — e por formação de quadrilha armada, após quase 18 horas de julgamento.

O tenente Lopes, um dos mentores do crime, teve a mesma pena. Os julgamentos começaram em dezembro de 2012 e terminaram em abril, com a condenação dos dois últimos acusados.

Relembre o caso

Na época do crime, a juíza Patrícia Lourival Acioli era titular da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, na Região Metropolitana. A magistrada, que foi assassinada na porta de casa com 21 tiros, em Niterói, atuou em diversos processos em que os réus eram policiais militares envolvidos em supostos autos de resistência, quando suspeitos morrem em confronto com os PMs.


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