Por thiago.antunes

Rio - Vítima de racismo em um restaurante no Flamengo em 2011, a assistente social Marcelle Esteves, 41, criticou o modo como seu caso foi tratado pela Polícia. “Na delegacia, a delegada se negou a registrar a ocorrência. Após pressão do grupo com quem eu estava, ela anotou o crime de injúria racial, porém, a dona do restaurante pagou fiança e o caso foi arquivado. Mesmo assim, todos que passarem por essa situação devem denunciar. É um constrangimento, e na próxima, vão pensar duas vezes”.

Motivada pelo aumento de casos de racismo como o de Marcelle e outros veiculados na mídia recentemente, a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro promove hoje em sua sede, no Centro, uma marcha para debater a questão da desigualdade racial no Brasil. Em sua terceira edição, o encontro vai reunir, das 10h às 16h, personalidades do meio jurídico e representantes de órgão públicos para discutir a garantia das cotas raciais e os avanços das políticas de promoção da igualdade racial.

Criado no Complexo do Alemão, Nilson Bruno foi o primeiro negro a ocupar o cargo de defensor público-geral do estado. “A gente não tem visto uma proposta efetiva da sociedade para o enfrentamento do racismo no Brasil. Não temos propostas para combatê-lo e a Defensoria Pública abriu essa discussão”, disse.

O procurador também ressaltou a preocupação em relação à questão das cotas, lei que está em vigor desde 2011 e tem prazo de duração de 10 anos. “Quando o povo pretende ascender socialmente, vem a barreira, a falta de oportunidade. As ações afirmativas servem para impulsionar essa camada majoritária”, afirmou o procurador. No dia da II Marcha da Defensoria , realizada em 21 de março de 2013, Bruno anunciou a criação do Núcleo contra a Desigualdade Racial, que garante acesso à justiça a vítimas da discriminação.

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