Por thiago.antunes

Rio - A Corregedoria Geral Unificada (CGU) da Secretaria de Estado de Segurança Pública considerou que não há, até o momento, no pedido feito pelo promotor Paulo Roberto Mello Cunha Jr., do Ministério Público, elementos para a instauração de procedimento administrativo disciplinar e de sindicância patrimonial contra o Comandante-geral da Polícia Militar, coronel José Luís Castro Menezes,  o chefe do Estado-Maior, Paulo Henrique Moraes e o chefe do Estado-Maior Administrativo, Ricardo Coutinho Pacheco.

A decisão é do desembargador Giuseppe Vitagliano, Corregedor-Geral da CGU e foi publicada na noite desta quarta-feira. 

Denúncia atingiu alta cúpula

A denúncia de que até o Estado-Maior da PM recebia propina de R$ 15 mil de todos os batalhões atingiu a cúpula da corporação. O PM que delatou a propina paga ao Estado-Maior ganhou a liberdade. Ele prestou dois depoimentos ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP. Detalhou como funcionava o esquema de propina com a extorsão de empresários, vans e bancos. O resultado da arrecadação era repassado ao coronel Alexandre Fontenelle, ex-chefe do Comando de Operações Especiais (COE) e até à cúpula da PM, como confidenciou o major Nilton João dos Prazeres Neto e Édson Alexandre Pinto Neto.

Coronel Paulo Henrique e comandante José Luís Castro serão investigados pela Corregedoria Geral Unificada a pedido do Ministério PúblicoDivulgação

Segundo os relatos, o recebimento de propina no alto comando da PM só foi interrompido de setembro de 2011 a agosto de 2013, quando o coronel Erir Ribeiro da Costa Filho estava à frente da tropa. A atual gestão será investigada pela CGU. Ontem também o comandante-geral, coronel José Luís Castro Menezes, determinou a abertura de um Inquérito Policial Militar para apurar as denúncias contra integrantes do Estado-Maior. Mas como Castro terá que se defender na CGU, alegou em nota que apresentará comprovantes de seu patrimônio.

A partir das revelações do delator, o juiz da 1ª Vara Criminal de Bangu, Tiago Fernandes de Barros, concedeu sua liberdade. Ele pode até conseguir o perdão judicial ou a redução de pena. A operação Amigos S/A foi deflagrada pela Subsecretaria de Inteligência, da Secretaria de Segurança, e pelo Gaeco há uma semana. Os 23 PMs e um mototaxista estão presos. Na casa do major Edson Góes foram encontrados R$ 287 mil. As investigações apontam aumento patrimonial do coronel Fontenelle e de outros PMs. Com o oficial havia lista de pagamento de propina de R$ 27 mil. Extratos bancários ainda estão sendo analisados.

No depoimento%2C policial disse que todos os batalhões eram obrigados a pagar R%24 15 mil para o Estado-Maior da Polícia MilitarReprodução

Tráfico: Outra fonte de renda

O tráfico de drogas seria outra fonte de renda montada pelo grupo do coronel Alexandre Fontenelle, que segundo as investigações agia desde de 2010. Segundo relato do colaborador, quando Fontenelle estava à frente do 41º BPM (Irajá), somente os traficantes da favela de Acari pagavam R$ 20 mil ao comando da unidade. Os valores eram arrecadados semanalmente pelos policiais do Grupamento de Ações Táticas (GAT).

Na ocasião, os policiais que trabalhavam na ronda de trânsito eram os responsáveis por trazer das ruas propina de R$ 15 mil a R$ 18 mil. Desses valores, apenas uma pequena parte, o equivalente a R$ 750, ficava com os praças, chamados de ‘assalariados’ porque, independe dos valores recolhidos, a parte deles era determinada pelos oficiais.

Coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira (cabeça raspada)%2C comandante do COE%2C foi preso na manhã desta segunda%2C em sua casa%2C no Leme%2C Zona SulDivulgação / Vivian Fernandez / MPRJ

No esquema montado para cobrar propina, que começou no 24º BPM (Itaguaí), o 41º BPM (Irajá) e o 14º BPM (Bangu) e pode ter ido até o COE, os policiais não deixavam de fora nem as pessoas que faziam frente de supermercado. Esses pagavam, assim como mototaxistas e táxis piratas, a quantia de R$ 600, por semana, na região de Bangu. Empresários de empresas de ônibus e caminhões da Zona Oeste também eram alvos.

Para fortalecer o esquema, o major Edson Góes queria promover o delator a comandante da patrulha de trânsito no 14º BPM. O objetivo era recolher mais dinheiro de motoristas de caminhões e vans da Cooperativa Rio da Prata. O pagamento deveria ser fixo e periódico.

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