Laudo de grávida morta durante aborto em Niterói aponta perfurações no útero

De acordo a polícia, intestino de vítima também sofreu lesões

Por O Dia

Rio - O delegado Adilson Palácio, da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI), informou, na tarde desta quinta-feira, que o laudo sobre as causas da morte de Elizângela Barbosa, 32 anos, aponta perfurações no útero e no intestino da vítima. O exame do Instituto Médico Legal (IML) concluiu que as lesões foram causadas durante o procedimento de aborto feito em Elizângela em Niterói, na Região Metropolitana, no último sábado.

Elizângela foi encontrada agonizando na Estrada do ItitiocaReprodução

A Polícia Civil já identificou os envolvidos na morte, no Sapê, sub-bairro de Pendotiba. Os agentes também recolheram colchão e almofadas com mancha avermelhada que seria sangue de Elizângela. O material colhido vai ser ser enviado para análise. Caso realmente seja sangue, o material será comparado ao DNA da grávida. Roupas íntimas também foram apreendidas para serem periciadas.

A operação foi realizada com a supervisão do delegado da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, Adilson Palácio. Na terça-feira, policiais recolheram medicamentos — alguns de uso veterinário —, material para desinfecção e um computador. Elizângela foi enterrada na terça-feira, no Cemitério de Maruí. 

Abandonada em estrada

Elizângela foi deixada pelo marido, o pintor industrial Anderson Santos da Silva, 27, e os três filhos do casal, na Estrada da Tenda, na periferia de São Gonçalo, por volta de 8h de sábado. Ali ela se encontrou com um homem que a levaria a uma clínica clandestina no Sapê, em Niterói. Porém, às 22h de domingo, ela chegou morta ao Hospital Estadual Azevedo Lima. 

Segundo o delegado substituto da DH-Niterói, Adilson Palácio, o proprietário de um Gol branco prestou depoimento informando que trafegava com o carro pela Estrada de Ititioca, no bairro de mesmo nome, em Niterói, quando um bando o mandou parar. Ele foi obrigado a levar Elizângela, que agonizava na beira da via, para o Hospital Azevedo Lima.

“Depois do aborto malsucedido, Elizângela foi abandonada na estrada ainda com vida. Traficantes da região, com medo de que a polícia suspeitasse que ela teria sido vítima deles, mandaram que o motorista a levasse ao hospital”, afirmou o delegado Palácio. Segundo o policial, além de Elizângela ter chegado ao hospital com sinais de forte sangramento vaginal, exame de necropsia detectou até um tubo de plástico dentro do seu útero.

Anderson revelou, em seu depoimento, que Elizângela já havia tentado, em vão, abortar em casa, com medicamentos, há pouco mais de três meses. “Ela não queria o quarto filho, e isso foi até motivo de discussão entre nós. Ela queria arranjar emprego. Mas, grávida, não conseguia”, alegou o pintor, que poderá responder como coautor do crime.

No sábado, Elizângela saiu de casa com R$ 2,8 mil para fazer o aborto e se encontrou com o desconhecido que a levaria até a clínica. Duas horas depois, ligou para o marido, dizendo que precisava de mais R$ 700. Até o final da tarde de domingo, o contato entre os dois passou a ser por mensagens de celular. Às 17h50m de ela voltou a ligar, dizendo que estava terminando o último procedimento e pedindo que o marido ligasse em 40 minutos. Mas Anderson não conseguiu mais contato. Às 23h, Cosme Barbosa, irmão da vítima, foi avisado pelo hospital que Elizângela havia chegado sem vida à emergência da unidade.

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