Por paulo.gomes
Jandira Magdalena, que desapareceu no dia 26 de agosto quando foi fazer um aborto, será sepultada no próximo domingo, em Ricardo de AlbuquerqueReprodução

Rio - O sepultamento da auxiliar administrativa Jandira Magdalena dos Santos, de 27 anos, acontecerá no próximo domingo, às 14h, no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, na Zona Norte. O corpo dela foi encontrado carbonizado e mutilado dentro de um carro, em Guaratiba. O laudo que atestava que era mesmo de Jandira foi divulgado na terça-feira, após confrontados os materiais genéticos dela e da mãe, Maria Magdalena dos Santos, 51. A vítima morreu após uma tentativa de aborto, no último dia 26, em uma clínica clandestina na Zona Oeste.

De acordo com o delegado da 35ªDP (Campo Grande), Hilton Alonso, as investigações se concentram em descobrir se os criminosos atearam fogo nela, ainda com vida, e se o veículo incinerado foi o mesmo Gol branco em que ela deixou a rodoviária de Campo Grande em direção à clínica. “Já identificamos todos os integrantes da quadrilha. Estamos investigando suas condutas e pretendemos prendê-los em breve”, garantiu.

Quatro acusados já foram presos. São eles: Rosemere Aparecida, apontada como chefe da quadrilha; Vanusa Baldacine, suspeita de ter levado Jandira para a clínica onde teria morrido; Marcelo Eduardo Medeiros, proprietário do imóvel que era alugado, e Mônica Gomes Teixeira, que recepcionava os clientes. Todos responderão pelos crimes de aborto, formação de quadrilha, ocultação de cadáver e fraude processual. O falso médico Carlos Augusto Graça de Oliveira, que teria realizado o procedimento, teve a prisão temporária decretada, mas continua foragido.

Grávida morta durante aborto em Niterói tinha perfurações no útero

O delegado substituto Adilson Palácio, da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI), informou, na quinta-feira, que o laudo sobre as causas da morte de Elizângela Barbosa, 32 anos, aponta perfurações no útero e no intestino da vítima. O exame do Instituto Médico Legal (IML) concluiu que as lesões foram causadas durante o procedimento de aborto feito em Elizângela em Niterói, na Região Metropolitana, no último sábado.

A Polícia Civil já identificou os envolvidos na morte, no Sapê, sub-bairro de Pendotiba. Os agentes também recolheram colchão e almofadas com mancha avermelhada que seria sangue de Elizângela. O material colhido vai ser ser enviado para análise. Caso realmente seja sangue, o material será comparado ao DNA da grávida. Roupas íntimas também foram apreendidas para serem periciadas.

A operação foi realizada com a supervisão do delegado Adilson Palácio. Na terça-feira, policiais recolheram medicamentos — alguns de uso veterinário —, material para desinfecção e um computador. Elizângela foi enterrada na própria terça, no Cemitério de Maruí.

Abandonada em estrada

Elizângela foi deixada pelo marido, o pintor industrial Anderson Santos da Silva, 27, e os três filhos do casal, na Estrada da Tenda, na periferia de São Gonçalo, por volta de 8h de sábado. Ali ela se encontrou com um homem que a levaria a uma clínica clandestina no Sapê, em Niterói. Porém, às 22h de domingo, ela chegou morta ao Hospital Estadual Azevedo Lima.

Segundo o delegado Adilson Palácio, o proprietário de um Gol branco prestou depoimento informando que trafegava com o carro pela Estrada de Ititioca, no bairro de mesmo nome, em Niterói, quando um bando o mandou parar. Ele foi obrigado a levar Elizângela, que agonizava na beira da via, para o Hospital Estadual Azevedo Lima.

“Depois do aborto malsucedido, Elizângela foi abandonada na estrada ainda com vida. Traficantes da região, com medo de que a polícia suspeitasse que ela teria sido vítima deles, mandaram que o motorista a levasse ao hospital”, afirmou o delegado Palácio. Segundo o policial, além de Elizângela ter chegado ao hospital com sinais de forte sangramento vaginal, exame de necropsia detectou até um tubo de plástico dentro do seu útero.

Anderson revelou, em seu depoimento, que Elizângela já havia tentado, em vão, abortar em casa, com medicamentos, há pouco mais de três meses. “Ela não queria o quarto filho, e isso foi até motivo de discussão entre nós. Ela queria arranjar emprego. Mas, grávida, não conseguia”, alegou o pintor, que poderá responder como coautor do crime.

No sábado, Elizângela saiu de casa com R$ 2,8 mil para fazer o aborto e se encontrou com o desconhecido que a levaria até a clínica. Duas horas depois, ligou para o marido, dizendo que precisava de mais R$ 700. Até o final da tarde de domingo, o contato entre os dois passou a ser por mensagens de celular. Às 17h50 de ela voltou a ligar, dizendo que estava terminando o último procedimento e pedindo que o marido ligasse em 40 minutos. Mas Anderson não conseguiu mais contato. Às 23h, Cosme Barbosa, irmão da vítima, foi avisado pelo hospital que Elizângela havia chegado sem vida à emergência da unidade.

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