Por daniela.lima

Rio - A demora no atendimento na Unidade de Pronto Atendimento Pediátrica Walter Garcia, em Duque de Caxias, a primeira UPA pediátrica do Brasil, virou caso de polícia. No final do mês passado, uma médica que estava de plantão foi agredida por um homem que não respeitou a fila de espera e queria que seu filho fosse atendido na frente dos demais. Por se recusar a antecipar o atendimento da criança, que não apresentaria um quadro tão grave, a médica levou um soco no seio esquerdo e teve uma arma apontada para sua cabeça. Houve gritaria, pânico, corre-corre e mais atraso no atendimento.

A médica agredida está de férias e não sabe se vai voltar para a UPA de Caxias. Outros médicos, que não quiseram se identificar, relataram que são diárias as ameaças, o que leva os colegas a trabalharem sob constante pressão e terror psicológico. Palavrões e xingamentos de todos são rotina na unidade, que está situada em frente à comunidade Vila Nova. Ela não atende apenas pacientes da região, mas de toda a Baixada, e até da capital.

OUTRAS CIDADES

O diretor administrativo da unidade, Élcio Cavalcante, diz que a UPA, inaugurada em fevereiro pelo então governador Sérgio Cabral, fica aberta 24 horas, conta com 10 consultórios, sete médicos plantonistas e faz cerca de 700 atendimentos por dia. “A saúde não anda bem só em Caxias. Nós fazemos um esforço muito grande para dar conta de toda a demanda. O atendimento a moradores de outros municípios da Baixada, antes, era de 10% a 15%. Desde que a UPA foi inaugurada, houve um aumento de cerca de 40% na procura. Isso acaba gerando uma série de problemas”, alertou.

Procurado pelos médicos da UPA pediátrica, o presidente do Cremerj, Sidnei Ferreira, afirmou que a instituição tem lutado pela valorização profissional como um todo, o que engloba melhores salários, condições adequadas para o trabalho e segurança. “Assim que soubemos do ocorrido, estivemos no local e fizemos uma inspeção. Solicitamos ao secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, mais policiamento na área e nos reunimos com a diretoria da UPA e com a Secretaria de Saúde de Caxias. Todos disseram que já tomaram as devidas providências. Em breve estaremos lá para mais uma inspeção”, afirmou.

Segurança é apenas patrimonial

Os problemas não se restringem à UPA de Duque de Caxias. A médica Kátia Dias, coordenadora da UPA da Penha, Zona Norte do Rio, diz que apesar de o atendimento acontecer dentro do protocolo, com média de uma hora de espera, a impaciência de quem está aguardando é muito grande. “Quem está doente não quer esperar, quer atendimento na hora”, afirma.

Segundo ela, a UPA da Penha tem sempre seis médicas atendendo nos plantões, além de 14 leitos para internação. A unidade recebe até 600 atendimentos por dia, diz. Quanto à segurança, a médica é enfática: “Muitas vezes há casos, sim, de violência e só temos segurança patrimonial. Quando acontece alguma coisa fora do habitual, recorro à UPP, que fica aqui ao lado da UPA, porque só a figura da PM já ameniza qualquer ameaça que por acaso sofremos”, desabafa.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Saúde informou que registros de agressão nas UPAs são isolados e que essa é uma atribuição da PM.

Já a Polícia Militar informou que atua nestas unidades sempre que solicitada. E que apenas no Complexo da Maré a atuação da segurança é feita pela Força de Pacificação do Exército Brasileiro.

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