Por daniela.lima

Rio - Nascido em Nova Iguaçu, o auxiliar de enfermagem Wilson Bernardo, de 54 anos, resolveu dar um basta na estressante rotina de trabalho no movimentado Hospital Souza Aguiar, de onde ainda tinha que enfrentar o complicado trânsito na volta para casa, na Baixada. Há pouco mais de um ano, ele se mudou de mala e cuia com a mulher e três filhos para a Ilha de Paquetá. 

Qualidade de vida e belas paisagens são atrativos tanto para moradores quanto para visitantes da ilhaSeverino Silva / Agência O Dia


Wilson paga R$ 900 de aluguel em uma casa de dois quartos, sala e cozinha. Nos dias de folga, pesca parati e tainha com tarrafa. “Minha qualidade de vida melhorou muito”, afirma Wilson. Como novo morador, ele passou também a ter gratuidade nas passagens das barcas.

Assim como o auxiliar de enfermagem, pelo menos 1,5 mil pessoas foram morar na ilha nos últimos anos. Pelo último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010, Paquetá tinha 4,5 mil moradores. Nos fins de semana, cerca de dois mil turistas passam por lá, para aproveitar a tranquilidade da ilha e contemplar a Baía de Guanabara.

OCUPAÇÃO IRREGULAR

O ambientalista e consultor do Ministério do Meio Ambiente e da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, João Carlos Alcântara, que também mora em Paquetá, alerta para o avanço das ocupações irregulares na ilha. Oficialmente, existem 2.223 imóveis legalizados no local, mas dezenas de construções clandestinas brotam a cada ano em meio à vegetação, conforme levantamento fotográfico feito por ele.

“As edificações vêm aparecendo com o passar do tempo no meio do verde. O pior é que a maioria está localizada em áreas de preservação. Mais de 80% da novas construções, erguidas sem controle nos morros do PEC, Gari, Pendura Saia, Constalat e da Cocheira, principalmente, são ilegais”, afirma Alcântara.

Nessas localidades, diz, a maioria do comércio é informal. Pelo menos 20% das casas têm luz através de ‘gatos’. Além disso, 90% dos imóveis contam com água proveniente de São Gonçalo — mas a ligação é clandestina.

Alguns visitantes, entretanto, se queixam de outros tormentos: crescimento do movimento de caminhões de entrega de mercadorias nas ruas e a falta de caixas eletrônicos. “Só há um banco. Quem não tiver conta nele e vier sem dinheiro vivo, fica de bolso vazio”, comenta a artesã Tânia Aquino, de 48 anos.

Apesar dos problemas, turistas exaltam a beleza do lugar. “Aqui encontro sossego e curto o belo pôr do sol”, justifica o industriário Gustavo Aquino, 55 anos, de Porto Alegre. Na semana passada, ele, juntamente com um grupo de amigos, desembolsou R$ 50 para dar uma volta na ilha no chamado Eco-táxi, uma charrete que para nos principais pontos turísticos. 

Despoluição avança

A Cedae informou que está finalizando obras de despoluição das praias de Paquetá. Com investimento de R$ 22 milhões, o sistema de esgotos de Paquetá vai ser ampliado.

A companhia está substituindo cerca de 5 mil metros de rede coletora. Com estas intervenções, o sistema d e saneamento de Paquetá terá capacidade para levar 100 litros de esgoto por segundo da ilha para a Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) de São Gonçalo. 

Mas as belas praias de Paquetá, que inspiraram romances como ‘A Moreninha’, do escritor Joaquim Manuel de Macedo, vêm sendo ameaçadas por uma grande quantidade de algas em decomposição, da espécie Tetraselmis sp. Elas deixam a água com uma coloração verde escura. Além disso, exalam um forte mau cheiro.

Em nota, a Comlurb informou que mantém 44 garis fazendo a limpeza da ilha — mas eles só retiram algas da areia e não na água.

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