Lei eleitoral impede prisão de falso médico que realizou aborto na Z. Oeste

Familiares de Jandyra Magdalena dos Santos Cruz estão revoltados e querem o acusado atrás das grades

Por O Dia

Rio - Carlos Augusto Graça de Oliveira, apontado pela polícia como o falso médico responsável pela morte de Jandira Magdalena dos Santos Cruz, durante aborto em Santa Cruz, se apresentou na 35ª DP (Campo Grande), acompanhado pelo advogado.

O homem estava sendo procurado e tem mandado de prisão expedido pela Justiça, mas não ficará preso porque, apesar de ter prisão decretada, a lei eleitoral não permite que ninguém seja preso cinco dias antes das eleições. Somente a prisão em flagrante poderá ser realizada, conforme explicou a Polícia Civil. Carlos de Oliveira prestou depoimento e foi liberado. 

Familiares de Jandyra estão revoltados com a lei e querem o acusado atrás das grades.

Carlos Augusto de Oliveira prestou depoimento na delegacia mas não pode ficar preso por conta da lei eleitoralDivulgação/ Disque Denúncia

Corpo de mulher morta após aborto é enterrado no Rio

A auxiliar administrativa Jandira Magdalena Cruz foi sepultada na tarde do último domingo, no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, na Zona Norte. O enterro aconteceu pouco mais de um mês após a vítima desaparecer ao fazer um aborto em Campo Grande. Durante o velório, a irmã de Jandira, Joyce Magdalena, se mostrou bem consciente, dando força para os presentes.

"Nunca iríamos imaginar que uma menina de 27 anos iria descer na sepultura. Poderia ser eu, poderia ser qualquer pessoa. Mas eu sei que vidas estão sendo salvas pela vida da Jandira. Ela está em um lugar de paz, melhor que todos nós", disse.

Jandyra teve os membros e arcada dentária arrancados e o corpo carbonizadoReprodução

A mãe e as filhas de Jandira não compareceram ao sepultamento. Amigos e o pai da jovem estavam inconformados com a situação. Também estiveram presente alguns membros do movimento de mulheres pela descriminalização do aborto.

Jandira Magdalena, que estava grávida de quatro meses, morreu após um aborto realizado em uma clínica clandestina em Campo Grande, no dia 26 de agosto. Seu corpo foi encontrado carbonizado dentro de um carro em Guaratiba, no dia 27 do mês passado.

Cinco pessoas indiciadas por participar do aborto já foram presas e a polícia ainda procura outros suspeitos.

Parentes e amigos não escondiam a tristeza e revolta durante o velório de Jandira Magdalena%2C neste domingo%2C no Cemitério de Ricardo de AlbuquerqueCarlos Moraes / Agência O Dia




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