Por paulo.gomes

Rio - Assim como aconteceu na quarta-feira, os alunos da rede municipal de ensino foram prejudicados por conta da violência em diversas comunidades do Rio. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 23 unidades de ensino estão fechadas nesta quinta, totalizando 13.051 alunos sem aulas. O Complexo da Maré é onde se regista o maior número de estudantes sem aulas (7.579). Em seguida vem o Alemão (3.269) e a Penha (2.203). No Morro da Mangueira, as escolas estão funcionando com baixa frequência.

GALERIA: Militares reforçam segurança no Complexo da Maré

Por conta dos ataques criminosos em vários pontos do Rio e Niterói, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou nesta quinta que a Polícia Civil realizará várias operações a partir de sexta-feira e que o efetivo do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) nas ruas será dobrado. O anúncio aconteceu após a reunião com o governador Luiz Fernando Pezão, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel José Luís Castro Menezes e o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).

Militares da Força de Pacificação continuam nesta quinta-feira reforçando a comunidade do Complexo da Maré%2C na Zona NorteSeverino Silva / Agência O Dia

"O que eu posso dizer é que o Rio de Janeiro já viveu dias muito piores do que o de ontem (quarta-feira). A cidade pede paz e ela tem razão de pedir. E o meu interesse é trabalhar para a sociedade".

Beltrame lembrou que já aconteceram ataques criminosos em vésperas de eleições passadas. "Não posso garantir que está relacionada (ao período eleitoral), mas se vocês fizerem um período de reflexão e lembrar do que o tráfico fez aqui em 2007, botou fogo em pessoas vivas dentro de um ônibus, metralhou delegacias e, em 2010, começou a espalhar focos de incêndio, agora novamente nós temos essas ações", explicou Beltrame, garantindo que que a polícia vai seguir trabalhando para tentar combater a violência no Rio de Janeiro.

"A intenção dos traficantes é desmoralizar o processo de pacificação. Mas nós temos muita gente do serviço de inteligência nas ruas para solucionar esses problemas. Não vai haver recuo", completou.

Comunidades pacificadas têm novos confrontos durante a madrugada

Três comunidades pacificadas tiveram registro de tiroteios na madrugada desta quinta-feira. Os moradores do Complexo do Alemão, Rocinha e Mangueira tiveram, mais uma vez, que conviver com os confrontos entre policiais e traficantes. O caso mais grave aconteceu no Alemão, onde criminosos atacaram a base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rua Canitar.

O secretário de Segurança José Mariano Beltrame e o chefe da Polícia Civil Fernando Veloso participaram da reunião onde discutiram os últimos episódios de violênciaCarlos Moraes / Agência O Dia

Por volta das 1h30, um grupo de 15 a 20 criminosos atacaram a base da UPP da Rua Canitar. Cerca de dez policiais foram encurralados durante o atentado. Equipe de policiais num blindado fizeram resgate dos PMs e houve troca de tiros.

Dois suspeitos foram baleados. Adriano de Souza da Silva, de 20 anos, morreu no local e outro, de 22 anos, foi socorrido para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, onde permanece em observação.

“Deram um ataque de 360 graus na base da UPP, ou seja, cercaram o local e efetuaram muitos disparos de pistola 9 milímetros, arma usada pela facção criminosa Comando Vermelho. A situação foi crítica, pois os bandidos estavam escondidos na mata, becos e vielas”, disse um policial que participou do resgate.

Durante o confronto, a polícia apreendeu uma mochila contendo um rádio transmissor, 14 trouxinhas de maconha, 176 papelotes de cocaína, 70 pedras de crack, 41 frascos de cheirinho da loló, uma pistola 9 milímetros e três livros de contabilidade do tráfico. Num dos cadernos, havia o comprovante de pagamentos a advogados e até do enterro de um jovem, morto no sábado, em Nova Brasília, segundo agentes.

Alguns PMs tiveram que se abrigar na casa de um morador durante o tiroteio. Nenhum militar ficou ferido. Criminosos ameaçaram lançar granadas contra eles. Os policiais cercados pelos bandidos prestaram depoimento na 22ªDP (Penha) durante a madrugada.

Na Rocinha, os PMs foram atacados a tiros na localidade conhecida como Vila Verde, no alto da comunidade. Houve revide por parte dos policiais e os criminosos fugiram. A polícia está realizando buscas na local para tentar prender os bandidos. E na Mangueira, o confronto foi entre traficantes de facções rivais que disputam o tráfico de drogas na comunidade. O tiroteio aconteceu no Morro dos Telégrafos e não há registro de feridos.

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