Onda de violência no Rio deixa mais de 9 mil alunos sem aula

Escolas da rede municipal nos complexos do Alemão, Maré e Penha fecham as portas pelo terceiro dia consecutivo, mesmo com a operação de reforço na segurança

Por O Dia

Rio - A onda de ataques criminosos em diversos pontos do Rio fez com que 16 unidades da rede municipal de Educação nos complexos do Alemão, da Maré e da Penha suspendessem o atendimento, pelo terceiro dia consecutivo. Ao todo, foram mais de 9 mil alunos prejudicados pela violência na região. A medida da Secretaria Municipal de Educação foi tomada mesmo após o anúncio feito pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, nesta quinta-feira, de reforço na segurança no Rio. 

GALERIA: Polícia Militar inicia operação para as eleições

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, só na Maré, cinco escolas, três creches e um Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) - que atendem 6 mil crianças - tiveram de fechar as portas devido à insegurança. No Alemão, foram duas escolas e um EDI - com um total de 1.494 alunos. Já no Complexo da Penha, duas escolas, uma creche e um EDI suspenderam as aulas, deixando 1.985 alunos.

Militares da Força de Pacificação seguiram com reforço na comunidade do Complexo da Maré após confronto entre traficantes de facções rivais Foto%3A Severino Silva / Agência O Dia

Ainda nesta sexta-feira, a Polícia Militar iniciou sua operação com aumento do efetivo do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) nas ruas, para garantir a segurança das eleições. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira, por Beltrame, depois de uma reunião com o governador Luiz Fernando Pezão, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel José Luís Castro Menezes e o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).

"O que eu posso dizer é que o Rio de Janeiro já viveu dias muito piores do que o de ontem (quarta-feira). A cidade pede paz e ela tem razão de pedir. E o meu interesse é trabalhar para a sociedade".

Trinta mil PMs estão nas ruas para garantir reforço na segurança

Beltrame lembrou que já aconteceram ataques criminosos em vésperas de eleições passadas. "Não posso garantir que está relacionada (ao período eleitoral), mas se vocês fizerem um período de reflexão e lembrar do que o tráfico fez aqui em 2007, botou fogo em pessoas vivas dentro de um ônibus, metralhou delegacias e, em 2010, começou a espalhar focos de incêndio, agora novamente nós temos essas ações", explicou Beltrame, garantindo que que a polícia vai seguir trabalhando para tentar combater a violência no Rio de Janeiro.

O secretário de Segurança José Mariano Beltrame e o chefe da Polícia Civil Fernando Veloso participaram da reunião onde discutiram os últimos episódios de violênciaCarlos Moraes / Agência O Dia

A intenção dos traficantes é desmoralizar o processo de pacificação. Mas nós temos muita gente do serviço de inteligência nas ruas para solucionar esses problemas. Não vai haver recuo", completou.

Comunidades pacificadas vivem dias de confrontos 

Três comunidades pacificadas registraram tiroteios na madrugada de quinta-feira. Os moradores do Complexo do Alemão, Rocinha e Mangueira tiveram, mais uma vez, que conviver com os confrontos entre policiais e traficantes. O caso mais grave aconteceu no Alemão, onde criminosos atacaram a base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rua Canitar.

Por volta de 1h30, cerca de 20 criminosos atacaram a base da UPP da Rua Canitar. Cerca de dez policiais foram encurralados durante o atentado. Equipe de policiais num blindado fizeram resgate dos PMs e houve troca de tiros. Dois suspeitos foram baleados. Adriano de Souza da Silva, de 20 anos, morreu no local e outro, de 22 anos, foi socorrido para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, onde permanece em observação.

Ataques do tráfico assustam o Rio às vésperas das eleições

“Deram um ataque de 360 graus na base da UPP, ou seja, cercaram o local e efetuaram muitos disparos de pistola 9 milímetros, arma usada pela facção criminosa Comando Vermelho. A situação foi crítica, pois os bandidos estavam escondidos na mata, becos e vielas”, disse um policial que participou do resgate.

Durante o confronto, a polícia apreendeu uma mochila contendo um rádio transmissor, 14 trouxinhas de maconha, 176 papelotes de cocaína, 70 pedras de crack, 41 frascos de cheirinho da loló, uma pistola 9 milímetros e três livros de contabilidade do tráfico. Num dos cadernos, havia o comprovante de pagamentos a advogados e até do enterro de um jovem, morto no sábado, em Nova Brasília, segundo agentes.

Alguns PMs tiveram que se abrigar na casa de um morador durante o tiroteio. Nenhum militar ficou ferido. Criminosos ameaçaram lançar granadas contra eles. Os policiais cercados pelos bandidos prestaram depoimento na 22ªDP (Penha) durante a madrugada.

Na Rocinha, os PMs foram atacados a tiros na localidade conhecida como Vila Verde, no alto da comunidade. Houve revide por parte dos policiais e os criminosos fugiram. A polícia está realizando buscas na local para tentar prender os bandidos. E na Mangueira, o confronto foi entre traficantes de facções rivais que disputam o tráfico de drogas na comunidade. O tiroteio aconteceu no Morro dos Telégrafos e não há registro de feridos


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