Por thiago.antunes

Rio - Além de cinema de rua e patrimônio cultural do Rio, o antigo Cine Vaz Lobo, que levou o traçado do BRT Transcarioca a fazer uma curva, pode ganhar mais um título — o de primeiro centro cultural de artes cênicas e audiovisuais do bairro. A luta é do Movimento Cine Vaz Lobo, composto por moradores da região, e ligado ao Instituto Histórico Geográfico da Baixada de Irajá (IHGBI).

O antigo cinema tinha 1.800 lugares — na década de 1940, foi um dos endereços mais movimentados da cidade. Por sua relevância histórica e arquitetura ‘art déco’, o Vaz Lobo foi tombado no mês passado. A partir disso, um novo horizonte pode se abrir. Ronaldo Luiz Martins, um dos porta-vozes do movimento, garante que até novembro o projeto sai do papel.

“Essa proposta já foi discutida com o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade. Temos a planta, detalhando a ocupação dos cômodos e toda a documentação”, esclareceu. A fundação de um centro voltado para exposições, teatro e cinema vai trazer aos produtores culturais da região uma facilidade e uma oportunidade, segundo ele.

Instituto da Baixada de Irajá e moradores têm projeto para que sala dos anos 1940 abrigue teatro e exposiçõesDivulgação

“Temos cineastas da região que vão até Niterói para ter acesso a uma ilha de edição. Se conseguíssemos botar isso em pauta na prefeitura oficialmente, a juventude daqui aproveitaria ao máximo o apoio, tenho certeza”. A ilustradora e designer gráfica Pris Mageste, de 28 anos, assina embaixo. “Os artistas da Zona Norte precisam de um lugar para expor o seu trabalho. Tudo o que incentiva a arte aqui na região tem que ser aplaudido”.

Porém, o projeto ainda precisa que os quatro herdeiros selem um acordo quanto ao destino do imóvel. Segundo Ronaldo, três deles concordam com a reforma para receber o centro cultural, mas Rosivainy Monteiro, que reside no imóvel, diz não ter sido informada sobre a destinação. “Não negaria a oportunidade de transformar o lugar num centro cultural, mas ninguém nunca sentou para conversar comigo sobre isso”, reclamou.

O aposentado Ailton Ângelo Rodrigues, 76, tem boas lembranças da sala. “Vi bons filmes aí. Seria excelente que a relíquia de Vaz Lobo fosse mantida”, festeja. Para Adriano Pereira de Araujo, 31, eletricista, seria uma guinada na vida do bairro. “Esse prédio tem que ser revitalizado e o centro cultural precisa existir!”, afirmou.

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