A despedida de um bom malandro

Cineasta e ator carioca Hugo Carvana morre aos 77 anos. Velório será hoje no Parque Lage

Por O Dia

Rio - Morreu ontem no Rio, aos 77 anos, o ator e cineasta Hugo Carvana. Ele estava internado no Pró-Cardíaco, desde o domingo passado. De acordo com o hospital, ele teve complicações causadas por um câncer de pulmão. O velório acontece hoje, a partir das 9h, no Parque Lage. O corpo será cremado amanhã, no Memorial do Carmo, no Caju, em cerimônia fechada para a família.

Carvana era casado, há 46 anos, com a jornalista Martha Alencar, com quem teve quatro filhos, Pedro, Maria Clara, Júlio e Rita. “Em nome da família, a gente quer agradecer as manifestações dos amigos. O Carvana é um diretor fundamental para nossa cultura. Lutou o quanto pôde”, disse o filho Júlio, ainda no hospital.

Em 2011, na época do lançamento do filme ‘Não se Preocupe, Nada Vai dar Certo’, dirigido por eleJoão Laet / Agência O Dia

Ontem, artistas lamentaram a morte de Carvana. “Ele não era somente um ator extraordinário, mas diretor, um intelectual que pensava o Brasil”, afirmou o cineasta Cacá Diegues. O autor Aguinaldo Silva escreveu no seu site: “Velho, bom, icônico e genial. (...) Mas Hugo Carvana eu sei que ficará durante muito tempo no imaginário de todos os que viram o seriado (‘Plantão de Polícia’), ‘Fera Ferida’, os belíssimos filmes dele e todos os outros trabalhos que fez na tevê.” O ator Paulo Betti, que trabalhou com Hugo no filme ‘A Casa da Mãe Joana’, disse ao site ‘Ego’ que o amigo era único: “A morte do Carvana representa o fim de um estilo de representar, uma era de interpretação.”

No dia 27 de setembro, o Festival de Cinema do Rio prestou uma homenagem ao cineasta com exibição especial do filme ‘Vai Trabalhar, Vagabundo’, com cópia restaurada. Os quatro filhos estavam presentes na sessão. Carvana não pôde comparecer em razão da saúde debilitada. “A homenagem do Festival do Rio foi uma bênção”, lembrou, ontem, o filho Júlio.

Na página do Festival do Rio, no Facebook, a organização do evento escreveu sobre a morte do cineasta: “O Festival do Rio lamenta profundamente a perda deste grande ícone da malandragem carioca.”

O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, emitiu uma nota oficial. “Além de extraordinário ator e excelente diretor, Hugo Carvana tinha o dom de nos alegrar, principalmente quando levava as características e os trejeitos cariocas para suas criações”, diz um trecho do comunicado.

Intensa atuação política

Hugo Carvana de Holanda nasceu em 4 de junho de 1937. Carioca de Lins de Vasconcelos, iniciou sua carreira em 1955 e ficou marcado por retratar o típico malandro carioca. Atuou em mais de 60 filmes, como ‘Terra em Transe’ (1967), de Glauber Rocha. Entre os longas que dirigiu estão ‘Se Segura Malandro’ (1978), ‘Bar Esperança’ (1982) e ‘Casa da Mãe Joana 2’ (2013), o último da carreira. Na TV, o personagem mais marcante foi Waldomiro Pena, do seriado ‘Plantão de Polícia’ (1979-1981), na Globo. Ele também participou de dezenas de novelas na emissora, como ‘Corpo a Corpo’ (1984), ‘O Dono do Mundo’ (1991), ‘Celebridade’ (2003) e ‘Paraíso Tropical’ (2007). Seu último papel na TV foi na minissérie ‘O Brado Retumbante’ (2012).

Carvana foi também militante político. Após o golpe de 64, ingressou para o grupo de teatro Opinião, de resistência à ditadura militar. Na década de 80, atuou na campanha ‘Diretas Já’ e foi presidente da Fundação de Artes do Rio de Janeiro (Funarj) durante o governo Leonel Brizola.

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