Avós resgatam neto levado pelo pai; casal tem a guarda provisória

Menino de 10 anos não voltou para a casa após visita ao pai em Manaus, acusado de descumprir ordens da Justiça

Por O Dia

Rio -  Chegou ao fim o drama de Elivelton e Vilma Frickes: depois de dois anos e sete meses de buscas, o casal conseguiu localizar e resgatar o neto Pedro Henrique, de 10 anos, que fora levado pelo pai Pedro Augusto Lasmar Santana, embora a guarda provisória fosse dos avós. Em março de 2012, Pedro Augusto, de uma família de Manaus, levou o filho para passar férias em sua cidade e desapareceu com o menino, na época com 8 anos. O menino estava vivendo há três meses em Bertioga, na Baixada Santista, em São Paulo.

O reencontro dos avós maternos com o neto, na tarde de quarta-feira, foi comovente. “Ao me ver, Pedro Henrique teve crise de choro. Na cabeça dele, nós o abandonamos e não queríamos mais saber dele. Mas ele foi se acalmando e agora está em casa, se readaptando”, diz Vilma.

A filha de Vilma e Elivelton se envolveu com Pedro Augusto, engravidou e teve o filho sozinha — o pai da criança retornou à capital amazonense. O menino, desde o nascimento, foi criado pelos avós maternos e pela mãe, que morava com os pais. “Pedro Augusto vinha ao Rio uma vez por ano, de férias, e via Pedro Henrique apenas um dia”, relata a avó.

Vilma e Elivelton Frickes reencontram o neto Pedro Henrique%3A emoçãoDivulgação

Em 2011, a mãe de Pedro Henrique morreu de câncer. “Pedro Augusto apareceu e disse que levaria o filho, mas fomos à Justiça e conseguimos a guarda provisória. Em 2012, ele conseguiu na Justiça do Rio autorização para passar uma semana de férias com Pedro Henrique. Levou meu neto e desapareceu”, relembra Elivelton.

Desde então, o casal trava uma briga judicial, que envolveu os tribunais de Justiça do Rio e do Amazonas. O caso foi parar em Brasília e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) expediu liminar determinando que o poder de decisão era da Vara de Família do Rio — que deu a guarda provisória aos avós maternos, até que se decida com quem o menino deve ficar.

Pedro Augusto descumpriu todas as ordens judiciais dos tribunais do Rio e até do STJ. Incansável, nesses dois anos e sete meses, Vilma esteve 13 vezes em Manaus atrás do neto para tentar fazer valer a ordem de busca e apreensão do neto.

Resgate foi feito em escola de SP

No fim de setembro, a família Frikes recebeu denúncia anônima de que Pedro Henrique estava em Santos. Vilma foi para a cidade paulista e procurou o Conselho Tutelar, que fez buscas em colégios da região e localizou o garoto, matriculado um mês antes numa escola em Bertioga.

“Acionamos logo o Ministério Público e pedimos que a advogada paulista Tatiane Danielius desse todo o suporto jurídico à família”, conta o advogado Pierre Lourenço, que abraçou a causa de Vilma e Elivelton desde o início do caso.

Na tarde de quarta-feira, acompanhada da advogada, a avó foi à escola e mostrou o documento que provava ser dela e do marido a guarda do menino. “Quando Pedro Henrique nos viu, caiu em prantos. Ele estava muito nervoso”, relata o avô Elivelton. Pedro Augusto foi avisado pela escola e apareceu em poucos minutos.

“Pedro Augusto sempre sabia que eu estava na cidade e agia rápido: tirava o menino da escola e mudava de endereço”, relata Vilma. O DIA telefonou para a advogada Sulamita Augusta da Silva, que defende Pedro Augusto, mas não teve êxito.


Processo por acidente

Segundo Vilma e Elivelton Frickes, Pedro Augusto Lasmar Santana armou grande confusão ao chegar no colégio, mas a advogada Tatiane Danielius chamou a polícia. “Na delegacia, policiais descobriram que Pedro Henrique estava com prisão preventiva decretada num outro processo criminal, que seria de acidente de trânsito”, contou o advogado Pierre Lourenço.

Na Delegacia de Bertioga, o delegado Marcelo Marinho não quis dar entrevista e informou apenas que o pai da criança fora liberado. “O processo da guarda de Pedro Henrique será julgado em breve. Tenho certeza que o pai perderá a ação, porque praticou alienação parental”, concluiu Pierre Lourenço.

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