Nossos Bichos: Não é brinquedo, não

Há pais que delegam a filhos os cuidados dos pets, como condição para ganhar o 'presente'

Por O Dia

Rio - Animal não é brinquedo e não pode ser tratado como bichinho de pelúcia descartável. O alerta é do Conselho Federal de Medicina Veterinária para pais que pretendem dar um filhotinho para os pequenos neste domingo, Dia das Crianças.

“Antes de presentearem as crianças com um animal de estimação, em vez de qualquer outra lembrança, os adultos precisam estar conscientes de que ter um animal em casa implica em assumir responsabilidades”, afirma o representante do órgão, o médico veterinário Marcello Roza.

Há pais que delegam a filhos os cuidados dos pets%2C como condição para ganhar o 'presente'Divulgação

O especialista explica que há casos em que os pais delegam aos filhos a responsabilidade de cuidar dos pets, como a condição para ganharem o “presente”. “É preciso lembrar que estamos falando de uma criança, que não consegue cuidar nem de si mesma. Além disso, os animais não podem ser tratados como brinquedos, mas como membros da família”, argumenta Roza.

Além dos cuidados necessários para garantir a saúde física dos animais, é essencial dar carinho e atenção a eles. Como exemplo, Roza cita os cachorros de companhia, que são mais sensíveis à falta de interação, o que pode levá-los à depressão. Já os gatos são mais independentes, mas não significa que não precisem da atenção de seus donos.

Algumas espécies não dependem tanto dos humanos para se alimentar ou fazer xixi em locais reservados pela casa, além de se adaptar a períodos de tempo maior de ausência de adultos.

Marcello Roza aconselha os interessados a consultarem um médico veterinário antes de se decidirem pelo melhor bichinho de estimação. “O objetivo é orientá-los sobre a espécie mais adequada ao perfil da família. Há residências com pessoas idosas que não conseguem conviver com animais que fazem muito barulho”, exemplifica.

Outro ponto importante é a longevidade do animal escolhido, já que muitos deles vivem mais de dez anos e precisam de cuidados por todo o tempo de vida. “Portanto, antes de mais nada, é preciso ter certeza de que, além da criança, todo o restante da família, de fato, deseja o animal”, conclui.

É importante também optar por espécies adequadas à faixa etária do proprietário, sendo do adulto a tarefa de monitorar a convivência entre uma criança e um pet.

Recentemente, um grupo de cientistas brasileiros declarou que os animais são seres dotados de consciência. “Isso reforça a responsabilidade dos seres humanos na relação com os animais”, afirma Roza. O veterinário se refere ao manifesto assinado por especialistas, em um congresso sobre bioética e bem-estar animal organizado pelo CFMV; e segundo o qual os animais são capazes de sentir dor e prazer, e, por isso, não podem ser tratados como coisas.

Saiba como manter o animal feliz

No livro “O melhor amigo — Dicas e historinhas”, a jornalista Lúcia Stela Gonçalves e a veterinária Simone Fernandes orientam sobre os cuidados com os animais. Confira:

Antes de adquirir um animal, saiba que eles vivem, em média, de 10 a 12 anos. Na velhice precisam de mais atenção. A família está de acordo?Há recursos necessários para mantê-lo? Quem cuidará do bichinhos nas férias e nos feriados?

Os pets precisam ser vacinados e castrados para evitar as crias indesejadas. Eles devem ser levados regularmente ao veterinário.

Ao levá-los para passear, recolha e jogue dejetos no lixo. Nos passeios, cães devem ser conduzidos de coleira e por alguém com controle sobre ele.

Não se guie pela vaidade de comprar uma raça ‘da moda’. Certifique-se de que a raça escolhida se adapta ao seu estilo de vida, do espaço disponível na casa, da quantidade de alimento que será consumida por ele, das despesas com medicamentos, tosa, adestramento, entre outras.

Pelos, cheiro, urina e fezes dos cães fazem parte do dia-a-dia de casas com animais. Filhotes fazem estragos na casa, em sapatos, roupas e móveis.

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