Por felipe.martins

Rio - Policiais da 35ª DP (Campo Grande) prenderam, na tarde desta segunda-feira, a oitava suspeita de integrar a equipe da clínica clandestina onde a auxiliar administrativa Jandyra Magdalena dos Santos morreu ao fazer um aborto em Campo Grande no final de agosto.

Leia: Preso mais um membro do bando que fez aborto e matou grávida em Niterói

Agda Pereira, de 45 anos, também conhecida como "Mudinha", é apontada pela polícia como faxineira no local onde a quadrilha realizava os procedimentos abortivos. Segundo o delegado titular da 35ª DP, Hilton Alonso, ela é surda-muda e já respondia pelos crimes de aborto, formação de quadrilha e homicídio qualificado desde 2013.

Jandyra desapareceu no dia 26%2C quando iria fazer um abortoReprodução

Agda chegou a ser presa em março daquele ano, quando agentes da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) fecharam uma clínica de aborto em Xerém, na Baixada Fluminense, que também era comandada por Rosemere Aparecida Ferreira, considerada chefe da quadrilha responsável pelo aborto de Jandira.

Na última sexta, também foram presos Jorge dos Santos, apontado como caseiro de um sítio em Campo Grande para onde o corpo de Jandyra foi levado antes de ser desovado em Guaratiba, e Carlos Antônio Júnior, que seria motorista da clínica. A polícia ainda procura por Keila Leal da Silva, apontada como falsa auxiliar de enfermagem que aplicava anestesias nas pacientes.

Mais cedo, policiais prenderam mais suspeito de envolvimento em morte após aborto em Niterói

Policiais militares do 22º BPM (Maré) prenderam, na manhã desta segunda-feira, Wagner da Silva de 27 anos, um dos foragidos da justiça por estar envolvido no aborto qualificado da dona de casa Elisângela Barbosa, em Niterói, Região Metropolitana, no último dia 21 de setembro.

De acordo com a Polícia Militar, ele foi abordado quando deixava a comunidade Nova Holanda, em Bonsucesso, em uma moto e sem capacete. O homem foi conduzido a 21ª DP (Bonsucesso).

Wagner é filho adotivo de Ligia Maria Silva, apontada como a líder da quadrilha acusada de fazer o aborto que matou Elizângela Barbosa, de 32 anos. Ligia e Rildo José Medeiros dos Anjos, enfermeiro e agenciador da quadrilha, foram presos em 29 de setembro. Seguem foragida da a filha biológica de Ligia, identificada como Sheila Cristina Silva Teixeira, 37 anos.

Wagner forjou a interceptação de um bando armado e o socorro à Elizângela na noite de domingo na Estrada de Ititioca, em Niterói, segundo a Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI).

Elizângela foi encontrada agonizando na Estrada do ItitiocaReprodução

Assustado com a gravidade da situação, Wagner disse que criou a farsa de que um bando o havia interceptado na Estrada de Ititioca e o obrigado a levá-la para o hospital. Ela chegou morta ao Hospital Estadual Azevedo Lima.

De acordo com o delegado da especializada, Adilson Palácio, Ligia — que se apresentou na delegacia com o seu advogado — confessou que injetou um medicamento em Elizângela para o procedimento de aborto.

Segundo depoimento, Elizângela chegou à casa no sábado, quando à noite Ligia injetou um medicamento na gestante e esperou fazer efeito dormindo na mesma cama com a vítima. O feto foi expelido no domingo pela manhã e jogado no lixo. Durante a tarde, ela começou a ter muito sangramento e os criminosos se deseperaram. No laudo do IML, foram detectadas perfurações no útero e no intestino da vítima, mas Ligia negou outros procedimentos além da injeção.

Rildo, que é auxiliar de enfermagem, era o responsável também por agenciar as grávidas interessadas em realizar aborto. Ele foi preso em Maricá, Região Metropolitana. Ele confessou que há seis meses já havia indicado a esposa de um vizinho para fazer aborto no local. Além dos dois presos, participaram do aborto de Elizângela os filhos de Ligia, que disse ter começado a praticar o ato ilegal há 20 anos, quando realizou o seu próprio aborto.

Ligia e Rildo foram indiciados por homicídio doloso e formação de quadrilha. O delegado está negociando com os advogados a rendição de Wagner e Sheila, mas equipes também realizam buscas para localizá-los.

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