Meriti ‘acorda’ com menos onze secretarias e três mil demitidos

Servidores são pegos de surpresa ao chegar ao trabalho. Prefeito diz que cortes são necessários

Por O Dia

Rio -  O fim de 11 secretarias e a demissão sumária de todos os funcionários com cargos comissionados da Prefeitura de São João de Meriti, na manhã de ontem, desencadearam uma onda de protestos no município. Pelo menos, três mil pessoas ficaram sem emprego e outras tantas sem a certeza da continuidade de vários projetos sociais. De acordo com a administração municipal, a medida drástica foi tomada para adequar o atual orçamento à arrecadação deste ano, que sofreu um baque, decorrente da diminuição dos repasses de verbas federais e estaduais.

“Tenho um compromisso com a Lei de Responsabilidade Fiscal e uma folha de pagamento inchada, com muitos profissionais ociosos. Sou obrigado a enxugar esta conta”, argumentou o prefeito da cidade, Sandro Matos, que deve debater a situação hoje, com representantes dos agora ex-funcionários.

Protesto em frente à Prefeitura%3A todos os funcionários de cargos comissionados foram afastados%2C sob a justificativa de adequar o orçamento à arrecadaçãoCacau Fernandes / Agência O Dia

Segundo ele, a decisão foi tomada após uma “minuciosa avaliação interna”, que comprovou o alto número de absenteísmo (falta de profissionais ao trabalho). Para garantir que seu projeto de governo não sofra prejuízos, Matos pretende transformar as antigas pastas em subsecretarias e superintendências de outras, consideradas fundamentais.

“A antiga Secretaria de Cultura, por exemplo, deve passar a funcionar dentro da Secretaria de Educação. Desta forma, consigo diminuir o número de profissionais necessários e garantir a continuidade dos projetos sociais”, disse. Chama atenção o fato de que até mesmo os secretários — seus principais homens de confiança — terem sido demitidos.

Porém, dentro do processo de reestruturação, não está descartada a readmissão de alguns dos nomeados. “Todos os salários serão readequados, e talvez seja possível recontratar até mil pessoas, de acordo com avaliação dos subsecretarias”, admitiu. Segundo o Sindicato dos Previdenciários, o número de demitidos pode ser um pouco maior, totalizando quatro mil pessoas.

Os funcionários concursados que trabalhavam nas secretarias extintas, por sua vez, devem ser realocados em outras funções. A assessoria da prefeitura não informou quais foram as secretarias fechadas. Ao telefonema da reportagem, a própria assessora questionou. “Eu ainda tenho emprego? Não sei”.

Prefeito quer ‘pessoas que realmente trabalhem’

Em meio às justificativas e promessas de dias melhores, mais de cem de ex-empregados do município realizaram protesto ontem de manhã, em frente à sede da prefeitura. Desesperados, muitos diziam não saber o que fazer diante do desemprego que veio seguido de, pelo menos, dois meses de atrasos salariais.

“As mensalidades da escola dos meus filhos estão atrasadas, meu nome está no SPC. Hoje (ontem) pela manhã descobri que estava no ‘olho da rua’”, desabafou a agente comunitária Milena Lopes. Ex-funcionária da Cultura, Luciane Dantas lamentava pela Orquestra Sinfônica que pode deixar de existir.

O prefeito afirmou que cerca de 45% do efetivo estavam com salários atrasados e 5% estavam com pagamentos bloqueados pela Justiça. A reestruturação deve ser, segundo ele, aliada à instalação de pontos eletrônicos: “Precisamos de funcionários que, de fato, trabalhem e respeitem as normas de presença. Existem pessoas que querem fazer política com a situação. Não acredito que alguém que ocupava um cargo de confiança faça protestos deste tipo”.

Últimas de Rio De Janeiro