Polícia investiga ação de grupos de extermínio em chacina em Caxias

'Na Baixada, isso é histórico', disse titular da Divisão de Homicídios, sobre execuções comandadas por criminosos

Por O Dia

Rio - A chacina que matou cinco adolescentes entre 12 e 18 anos - e deixou um, de 12, ferido -, na noite desta segunda-feira, no Parque Paulista, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, pode ter sido uma ação de grupos de extermínio da região. De acordo com o delegado titular da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense, Pedro Henrique Brandão, esta é a principal linha de investigação da polícia.

Cinco jovens são assassinados em chacina em Duque de Caxias

Segundo o delegado, a região é violenta e alvo de disputa de traficantes de facções rivais: "Foi uma ação de execução, com todas as características desses grupos. Os criminosos desceram do carro, efetuaram disparos, e sem deixar testemunhas. Cabe agora saber de quem foi. Aquela é uma área complicada, que tem briga de facções e atuação de grupos de extermínio", declarou Brandão, que completou: "Na Baixada sempre houve grupos de extermínio. Isso é histórico. Mais ainda é cedo para falarmos mais. A investigação tem 12 horas". 

Homens encapuzados mataram cinco jovens com idades entre 12 e 18 anos na noite de segunda%2C em Duque de Caxias. Um menor de 12 anos sobreviveu a chacina e está internadoOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Mais cedo, o delegado assistente, João Luís Costa, declarou que a área onde os adolescentes foram assassinados era próxima a uma boca de fumo. Ele lembrou também que a área é alvo da ação de milicianos e afirmou ainda que duas vítimas também tinham passagem pela polícia. "Não descartamos nenhuma possibilidade, mas bem próximo ao local onde os rapazes foram mortos, funcionava uma boca de fumo. Dois dos rapazes, o Denis e o Paulinho, ambos de 18 anos, tinham passagem pela polícia por roubo a mão armada quando eram menores", disse Costa.

Criminosos saíram de carros com touca ninja

As cinco vítimas fatais foram assassinadas a tiros por homens encapuzados, quando, segundo testemunhas, conversavam na esquina das ruas 36 e 22. Os assassinos teriam chegado em um Corsa preto e Fiat Uno e abordado os rapazes. Após agredir o grupo, os criminosos dispararam e fugiram em seguida. Ainda de acordo com moradores, pelo menos 20 tiros foram disparados por volta das 20h40. Sobrevivente da chacina, o jovem Daniel Souza da Silva, 12, que foi baleado no abdômen, está internado no Hospital Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, e seu estado de saúde é estável.

'A polícia sempre chega depois da tragédia', desabafa pai de vítima

No local, morreram Denis Alberto de Jesus e um jovem identificado apenas como Paulinho, ambos de 18, e um menor de 14 identificado como Roni. Após a fuga dos assassinos, moradores socorreram Tiago e Rafael, ambos de 15 anos. Daniel, 12, que está internado, também foi socorrido no local. Os dois primeiros não resistiram aos ferimentos e morreram. O sétimo jovem conseguiu fugir, mas foi alcançado pelos criminosos. Ele só não foi morto porque a arma do assassino falhou. Ainda de acordo com amigos, Denis voltava do colégio. Ele e Paulinho faziam serviços esporádicos como ajudante de obras. 

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