Professores da Uerj fazem paralisação na próxima quinta-feira, a partir das 10h

Em 15 dias docentes decidirão se entram em greve

Por O Dia

Rio - Os professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) decidiram, durante assembleia na tarde desta terça-feira, paralisar as atividades também nesta quinta-feira, dia 23, a partir das dez da manhã. Convocados pela Associação dos Docentes da Uerj (Asduerj), além de repetir a paralisação desta terça-feira, ficou definido no encontro que na quarta-feira da próxima semana, dia 29, o professores se reunirão com vereadores em audiência pública para discutir revindicações da classe. Os docentes esperam também posicionamento de candidatos ao Palácio Guanabara.  

"Foi uma assembleia boa, que debateu os principais aspectos e apontou uma unidade com os alunos, que também trouxeram demandas" disse o presidente da Asduerj, Bruno Deusdará. Segundo ele, a associação já obteve retorno das campanhas de Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB), porém, as propostas foram "insuficientes": "Os candidatos precisam sentar conosco para entender a situação atual da universidade", considerou Deusdará. 

Já na próxima semana, na quarta-feira, também às dez da manhã, os docentes da Uerj se reunirão com membros da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), presidida pelo deputado Comte Bittencourt e outros políticos que integram a comissão para discutir, entre outros temas, orçamento com dedicação exclusiva para a aposentadoria dos professores e reajuste salarial de 6% para a categoria.  

Em 15 dias, os professores da universidade voltarão a se reunir para discutir o indicativo de greve. A decisão da assembleia, no entanto, é aberta à adesão. Embora o número de docentes na reunião tenha aumentado, não é garantido que todos os professores da universidade paralisarão na quinta-feira. 

Professores decidem paralisar atividades na quinta-feiraPaulo Araújo / Arquivo Agência O Dia

O que os docentes reivindicam

Os professores da Uerj estiveram em assembléia desde às 13h30min, no auditório 51, do campus Maracanã, no bairro da Zona Norte do Rio. 

"A defesa do ensino, da pesquisa e da extensão na Uerj, além da intensificação do trabalho docente, da decomposição salarial e das ameaças à incorporação da dedicação exclusiva" são os assuntos que estarão em pauta, de acordo com a Asduerj. Presidente da associação, Bruno Deusdará disse que a assembleia é um desdobramento de discussões que vêm sendo feitas pelo corpo docente da universidade.

"Uma emenda à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) da Constituição Estadual prevê 6% do orçamento do Rio de Janeiro para as três universidades estaduais, mas não recebemos nem 3%", afirma Bruno, referindo-se tanto à verba que deveria ser destinada à Uerj quanto verba que deveria ir para os cofres das universidades Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e da Zona Oeste (Uezo).

"Não houve um aceno de reajuste salarial para a categoria dos professores. Para piorar a situação, a reitoria da universidade baixou um conjunto de medidas que pretendem restringir as atividades de pesquisa e extensão. Elas são alterações num instrumento chamado Banco de Produção Científica (BPC). Com essas mudanças nas diretrizes, que regem a carga horária de pesquisa e extensão, alguns problemas são criados no cotidiano da Uerj, que desestruturam o tripé ensino, pesquisa e extensão", afirmou Bruno Deusdará.

"O que se espera de uma universidade é que o conhecimento produzido nos laboratórios e nos grupos de pesquisa vá para a sala de aula. Se você restringe a capacidade de pesquisa de toda a universidade, você desestrutura toda a lógica de pesquisa da instituição", completou o presidente da Asduerj.

Segundo a associação, a assembleia que deflagrou a greve de 2012 na universidade contou com quase 500 professores, o equivalente a 25% do corpo docente da universidade. A última reunião realizada pela Asduerj teve a participação de 115 professores assinando a lista de presença, o correspondente a 5% da categoria, que tem um total de 2.300 efetivos.

"A greve é sempre a última ferramenta. Houve uma adesão significativa na última assembleia e a expectativa é que esse número seja maior nesta", acredita Deusdará.

Outra assembleia pode ser marcada para os docentes da Faculdade de Medicina, segundo a associação. Bruno Deusdará afirma que também serão feitas outras atividades, como reuniões e atos públicos, visando o segundo turno das eleições.

Asduerj cobra posicionamento de Crivella e Pezão

"A associação exige o posicionamento dos dois candidatos que concorrem ao Governo do Estado sobre os investimentos nas três universidades, além da revogação da medidas criadas pelo reitor", disse o presidente da Asduerj, referindo-se aos candidatos Marcelo Crivella (PRB) e Luiz Fernando Pezão (PMDB).

De acordo com o presidente da Asduerj, não é necessário um número mínimo de profissionais optando por uma greve para que ela seja deflagrada, no entanto, segundo ele "há o quantitativo do bom senso". "Para aprovar uma greve, a assembleia deve estar cheia", disse.

Num evento na rede social Facebook, 128 pessoas confirmam participação na assembleia. As aulas na universidade ocorreram normalmente na manhã desta segunda-feira e não há previsão de suspensão das atividades na universidade para o período noturno.


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