Por paloma.savedra

Rio - Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) paralisaram, nesta quinta-feira, as atividades na instituição. A decisão já havia sido anunciada na última terça-feira, após assembleia convocada pela Associação dos Docentes da Uerj (Asduerj). Na próxima quarta-feira (29), os funcionários se reunirão com representantes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), para discutir demandas da categoria. Conforme a associação, em 15 dias os docentes farão nova reunião aberta para discutir os rumos do movimento. Na oportunidade, decidirão se entram ou não em greve.

Segundo representantes da Asduerj, entre as reivindicações estão o reajuste salarial de 6% e pagamento do adicional de dedicação exclusiva para aposentadoria dos professores. Também protestam contra o veto do governador Luiz Fernando Pezão à emenda na Lei de Diretrizes Orçamentárias. A emenda destinaria 6% da receita tributária líquida do estado para instituições de ensino superior estaduais a partir de 2015.

Na pauta interna, os professores criticam um conjunto de medidas da reitoria, entre elas a discriminação entre professores assistentes e auxiliares. A reitoria sugere para os assistentes, com carga semanal de 40 horas, o máximo de dez horas de pesquisas, enquanto os auxiliares não terão nenhuma. Também propuseram a redução para, no máximo, oito horas da carga de pesquisa para professores adjuntos, associados e titulares com 20 ou 30 horas. Além disso, a reitoria anunciou novos critérios para o Banco de Produção Científica, não pontuando as práticas de orientação de monografia, monitoria e estágio.

De acordo com o presidente do Asduerj, Bruno Deusdará, as medidas desvalorizam o professor. “O que a gente passa para os alunos vêm dos laboratórios e dos nossos grupos de pesquisa. As mudanças hierarquizam as atividades, desqualificam a graduação e deixam as pesquisas sem reconhecimento”, criticou. Ressaltou que o aumento da carga horária “maquia a real necessidade de mais concursos para a contratação de professores”.

Os docentes aguardam posicionamento dos candidatos ao governo do estado do Rio, Luiz Fernando Pezão e Marcelo Crivella. Deusdará salientou que as propostas apresentadas pelos candidatos são insuficientes. “Queremos que eles se posicionem claramente e mostrem compromisso com a educação superior. Até hoje, as respostas não apontam melhores rumos para o ensino superior nos próximos quatro anos”, afirmou.

Para o presidente da associação, a possibilidade de greve existe. "Ela é um instrumento mais duro, que a gente só usa quando não tem outro recurso. Vamos dialogar com os candidatos ao governo e a reitoria. Esperamos não recorrer a esse extremo”, finalizou.

Com informações da Agência Brasil

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