Desafios do novo governador

Além de problemas como saneamento e segurança, eles terão que equacionar dívida estadual

Por O Dia

Rio - Seja quem for o eleito hoje à noite para ocupar o Palácio Guanabara, o futuro governador terá que enfrentar pelos próximos quatro anos desafios para além da Segurança Pública e a expansão ou não de UPPs.

Problemas crônicos, como a falta de abastecimento de água na Região Metropolitana, onde bairros inteiros da Baixada são atendidos apenas por poços artesianos, e a poluição da Baía de Guanabara, que já consumiu R$ 2,8 bilhões nos últimos 20 anos, estão entre as prioridades dos candidatos.

“Nosso compromisso é enfrentar a falta d’água e de saneamento”, diz o senador Marcelo Crivella (PRB), que disse já ter se encontrado com engenheiros da Cedae. Segundo afirmou, eles garantiram que, com pouco dinheiro “e vontade política”, se acabaria com o desabastecimento.

Candidato a reeleição, Pezão também afirma ter a água como compromisso. “Já temos convênio com a Caixa Econômica, de R$ 3,4 bilhões, para construir o Complexo do Guandu 2, que permitirá a ampliação de 70% do volume de água tratada. Vamos levar água para toda a Baixada”, disse ele, que, aos moradores do local, repete sempre: “Quem trouxe o asfalto, trará a água.”

O próximo governador terá de se preocupar com o saneamento básico, porque é responsabilidade do estado que a Baía de Guanabara esteja limpa para os Jogos de 2016. A poluição afeta de 8 milhões pessoas, nos 15 municípios no entorno da baía.

Incluída no debate para governador, embora de responsabilidade do governo federal, Crivella promete acabar com a fila de cerca de 28 mil pessoas — dados da Defensoria Pública da União — nos hospitais federais no estado. Ele diz que chamará associações de médicos e hospitais privados, além dos servidores públicos, para realizar “um grande mutirão de cirurgias”. Já Pezão garante a construção de mais 65 UPAs, 75 Clínicas da Família e “pelo menos quatro hospitais de referência”.

Saúde, água, segurança. Qualquer que seja o tema, porém, o futuro governador terá de tratar da dívida estadual, que chega a R$ 74 bilhões

Para o economista e coordenador do Fórum Popular do Orçamento do Rio, Luiz Mario Behnken, esta dívida será um dos principais desafios do próximo governo. Especialista em gestão pública, ele explica que o estado será “ obrigado a fazer uma renegociação”.

“Vamos constituir uma comissão de auditores do TCE e do Ministério Público para auditar as contas do estado”, afirma Crivella. Para Pezão, porém, as finanças do estado estão sob controle.

Com Juliana Dal Piva e Paulo Cappelli

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