Por victor.duarte

Rio - A proliferação de abelhas africanizadas, espécie híbrida do cruzamento de abelhas-africanas com raças europeias, - também conhecidas como assassinas devido ao alto grau de agressividade e à capacidade de atacar coletivamente as possíveis ameaças às suas colônias -, deixou a Defesa Civil de Nova Iguaçu em estado de alerta. Nesta terça-feira, agentes começaram a retirar uma colmeia com cerca de 100 mil abelhas, em uma árvore da Rua Maria Isabel, em Austin. O trabalho de captura e retirada acaba somente na noite desta quarta-feira. A Secretaria recebe em média por mês, 50 chamadas para retiradas do inseto. Em pouco mais de dez anos, duas pessoas morreram vítimas de abelhas no município.

“Não é uma situação de pânico, porém de alerta, principalmente porque estamos próximos do verão. As pessoas colocam fogo na mata e florestas e as abelhas acabam invadindo o centro urbano. Houve um aumento de demandas para a retirada de colmeias”, justifica o secretário de Defesa Civil Luiz Antunes.

Vítima de picadas de abelhas, a dona de casa Elenice Leite de Almeida, de 57 anos, que mora em frente a colmeia com cerca de 100 mil abelhas, teve que adotar novas práticas de vida para evitar novos ataques. Ela se trancou dentro de casa, deixando janelas e portas fechadas.

“Só assim para as abelhas não entrarem em casa. Tenho o corpo todo manchado por causa das picadas. Elas atacaram minhas pernas, barriga e até a cabeça. Minha filha especial de 32 anos também já sofreu com elas”, disse assustada, Elenice, que mora no mesmo quintal com duas filhas e dois netos.

Colmeia com cerca de 100 mil abelhas é retirada de árvore na Rua Maria Isabel%2C em AustinDivulgação

Ainda de acordo com o secretário Luiz Antunes, moradores de regiões mais vulneráveis que ficam em áreas rurais como ao longo do corredor da Avenida Abílio Augusto Távora (antiga Estrada de Madureira), Rancho Novo, Tinguá, Rodilândia e Austin são os que mais fazem solicitações.

Este ano, segundo Luiz Antunes, Nova Iguaçu contabilizou ataques e mortes contra quatro animais (dois cavalos, um cachorro e um cabrito). O último ataque aconteceu há 15 dias, no bairro Batuta, em Austin, onde um cavalo foi picado por enxame de abelhas. “As abelhas estão fazendo suas colmeias em telhados, árvores, postes e em relógios de energia elétrica”, afirmou o secretário.

A Defesa Civil pede que ao verificar uma colmeia, o morador deve ligar para os telefones : 2668-3537 e 199.

Uma picada pode matar pessoa alérgica

Uma picada de uma abelha africanizada já é suficiente para causar a morte de uma pessoa alérgica, de acordo com Maria Lúcia França Moscatelli, entomologista do Instituto de Pesquisa do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Para ela, um adulto não alérgico, cerca de 200 picadas podem ser fatais.

“O ferrão delas contém veneno. São perigosas, mas geralmente só atacam quando são incomodadas. A partir de 200 picadas, dependendo do tamanho ou peso da pessoa, o ataque pode ser fatal”, conta a especialista em insetos.

As abelhas chegaram ao Brasil há 50 anos, quando um pesquisador as trouxe para São Paulo, pois produziam mais mel que as europeias, consideradas mansas.

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