Por felipe.martins

Rio - Em entrevista ao DIA, o governador reeleito Luiz Fernando Pezão reitera a proximidade política com a presidenta Dilma Rousseff. Uma relação, segundo ele, que está bem acima do PT. Pezão não esconde a mágoa com a direção regional do partido, que rompeu com o PMDB após sete anos no governo estadual. Ele conta com a boa relação com o Planalto para conseguir verbas para o Rio. Disse que não vai interferir nas disputas internas do PMDB nem se intrometer na Alerj, pois já há “problema demais” para solucionar no Executivo. Afirmou ainda que o ex-governador Sergio Cabral será seu consultor para assuntos de governo. A grande abstenção nas eleições, em sua avaliação, é natural.

O senhor ficou chateado com o deputado Jorge Picciani por ter liderado o movimento Aezão, que apoiava Aécio Neves (PSDB), enquanto o senhor defendia Dilma?

“Vou ouvir todos%2C mas quem vai escolher o secretariado sou eu”%2C diz PezãoBruno de Lima / Agência O Dia

Não. De jeito nenhum. Eu entendo. Ele foi uma pessoa que estava com câncer e com cirurgia marcada, urinando sangue, nos últimos dias na campanha dele de senador, o Sérgio (Cabral, ex-governador) pediu para ele adiar para fazer a campanha da Dilma e, no segundo dia da presidenta da eleição, subiu com Lindberg (PT) e Crivella (PRB), no mesmo carro. Depois, recebeu um tratamento desrespeitoso do presidente do PT e do candidato do PT. Ele foi xingado de tanta coisa. Ele tomou uma posição. Você queria o quê, se ele não teve o tratamento digno que ele deu? Então, foi isso. Quaquá, Lindberg, Rui Falcão, todos eles criticaram muito a postura.

O senhor falou, durante a campanha, que o PMDB não cicatrizou feridas feitas pelo PT...

Claro. Muitas cidades ficaram com essa mágoa. O que mantinha era a aliança estadual. A partir do momento em que o PT interrompeu a aliança, aflorou, em uma série de lugares em que a gente ganhava com 70, 80 % dos votos, que a gente perdeu ou ganhou por muito pouco.

Mas o senhor continua firme e forte com a presidenta Dilma.

Meu relacionamento com a Dilma tá acima do PT. Meu relacionamento é com a presidenta Dilma.

A dívida do estado com o governo federal já soma R$ 74 bilhões. O senhor está disposto a enfrentar a presidenta Dilma Rousseff, com quem tem boa relação, por uma queda nestes juros?

Não. Vai ser uma coisa de comum acordo. Este projeto (redução dos juros) está sendo discutido no Senado e já foi aprovado na Câmara. Falta o senador Renan Calheiros botar isso na pauta. É uma dívida natural, que não impacta no estado, que sempre pagou e paga em dia, mas sufoca. A gente poderia, se tem um pagamento menor, estar fazendo mais investimentos. Isso é uma coisa que prejudica o investimento do estado.

Qual será a função de Sérgio Cabral em seu governo?

De ser um grande amigo, um consultor sobre todos os setores. É uma pessoa com uma experiência de sete anos e quatro meses de governo. Esses avanços são devidos à visão dele. Vai ser uma fonte permanente. Ele conhece muito a Assembleia, ouço ele sobre tudo, principalmente sobre questões legislativas, como formar uma boa base. Aprendi muito com ele. Acompanhei muito ele nesses oito anos.

Somados, os votos nulos, brancos e abstenções foram maiores que os seus eleitores. É um recado das urnas? A pressão aumenta?

Não, acho que é natural. Estamos num processo democrático muito novo. A participação vai vir naturalmente. Se a pessoa se sentir motivada de ir às urnas, de não anular o voto, cada vez mais vai participar. Os políticos têm o dever de ganhar credibilidade da população. Vou fazer o possível e o impossível para atender ao desejo da população toda.

A Secretaria de Transportes, uma das mais importantes do estado, foi da cota do PP do senador Francisco Dornelles no governo anterior. Como seu vice, ele fará indicações para as secretarias?

Vou ouvir todos, mas quem vai escolher o secretariado sou eu.

O senhor vai manter a comissão de ética do estado?

Sim. Transparência é sempre a prioridade para a gente. Quero que os atos aqui do governo sejam cada vez mais transparentes. Vou elaborar a transparência dos bens dos secretários para o próximo governo, quando eu tomar posse.

Também foram prometidas mais 50 UPPs no estado. Onde elas vão estar e quando será criada a academia para a formação dos policiais de pacificação?

Depende do Beltrame, como sempre. Vamos ver o espaço e a capacidade que vai precisar. As novas UPPs são menores. A única grande UPP que a gente tem que fazer é a da Maré. O resto são comunidades muito pequenas.

O secretário de Segurança José Mariano Beltrame está cansado?

Não sei. Vou torcer muito para que ele continue. Não fiz a proposta ainda a ele. Não conversei ainda com ninguém.

O que será feito para colocar o Rio em primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), como o senhor prometeu?

Valorizar o magistério, mais escolas com horário integral, ensino profissionalizante. Para o ano que vem, tem a previsão de mais cem escolas com horário integral. Quero todas as escolas com ensino integral até o final do meu mandatos. Mas vai depender de recursos.



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