Por daniela.lima

Rio - Adriano Lopes, morador de Arcoverde, sertão de Pernambucano, recebeu proposta no fim de 2013 para ser jogador em um grande clube de Recife. Depois de dois dias sumido, o rapaz, de 17 anos, entrou em contato com a mãe e avisou que estava no meio de uma floresta no Rio de Janeiro, esperando para embarcar em avião clandestino rumo ao Catar, no Oriente Médio. Não há mais notícias de seu paradeiro desde então. Entre 2005 e 2011, o Ministério da Justiça contabilizou 475 pessoas traficadas no Brasil.

Para evitar novos casos, entidades e instituições ligadas à luta contra o tráfico de pessoas se uniram e deflagraram campanha de conscientização em escolas públicas dos ensinos Fundamental e Médio no Rio, Baixada Fluminense, Niterói e São Gonçalo. POR seis meses, o grupo relatou histórias de jovens que sonhavam em mudar de vida com o futebol, foram seduzidos com falsas propostas e desapareceram sem deixar vestígios.

A Campanha de Prevenção ao Tráfico de Crianças e Adolescentes foi encerrada com o seminário ‘A influência dos grandes eventos no tráfico de pessoas’, reunindo pais, professores e estudantes. O objetivo foi alertá-los sobre os perigos, informando como a rede de tráfico se articula e chega até os jovens.

“O sonho do futebol mexe com o emocional não só dos meninos, mas também dos pais que não pensam racionalmente. As condições insalubres, às quais estarão sujeitos esses jovens, são vistas pela grande maioria como o caminho a ser percorrido”, alerta a advogada Thaisi Bauer, representante do Projeto Trama — parceria com o Ministério da Justiça, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes e as ONGs Projeto Legal, Fundo Brasil e Fórum DCA.

Segundo o advogado Carlos Nicodemus, da ONG Projeto Legal, o tema do tráfico de pessoas ligadas ao futebol só começou a ser trabalhado a partir de 2007. “Ainda precisamos aprofundar as pesquisas”, analisa Nicodemus.

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