Por thiago.antunes

Rio - Mais do que homenagens, o dia de finados neste domingo no Rio foi marcado por iniciativas irreverentes de valorização da memória dos que já partiram. Em diferentes cemitérios da cidade, a data deu lugar a momentos de festividade com direito a selfies, música, brincadeira e até artistas.

GALERIA: Dia de Finados tem sósia de famosos

Em Botafogo, cerca de 120 mil pessoas passaram no cemitério São João Batista e foram surpreendidas por sósias de astros da televisão e dos cinemas. Ao chegar ao cemitério, o respeitável público era recepcionado por ninguém menos que o apresentador Chacrinha, o maestro Tom Jobim, a cantora Carmem Miranda e o aviador Santos Dumont.

Sósias de personalidades que foram enterradas no São João Batista fizeram a alegria dos visitantes do São João Batista neste domingoFernando Souza / Agência O Dia

Quem passava distraído, podia quase pensar que tinha retornado aos anos 1940 ao rever a pequena notável, Carmen Miranda, com sua maquiagem impecável, turbantes, colares e pulseiras. A atriz Patty Mendes, 36 anos, convenceu tanto no papel que emocionou até um querido amigo da própria cantora: o músico e sapateador Bob Lester, de 102 anos. Companheiro da artista no grupo Bando da Lua, ele chorou ao rever “Carmen”. “Todos os anos eu venho. Hoje deu para matar um pouco a saudade”, disse.

Tom Jobim foi interpretado pelo ator Johnny Wallace, 38 anos. Com um copo de whisky na mão direita e o charuto na esquerda, “Tom” cantava alguns de seus versos mais famosos. Mas, há também quem dificulte a vida do sósia. “Alguém me pediu ‘Lígia’. Aí, infelizmente, eu não conhecia”, contou.

Sósia de Tom Jobim foi um dos mais cobiçados por quem estava no cemitérioFernando Souza / Agência O Dia

O ator Fernando Reski, 55 anos, nunca tinha interpretado o apresentador que ficou famoso pela frase ‘Alô, Alô, Terezinha!’. Sobre a reação das pessoas, ele abre um sorriso. “Todos querem fotos. Quase não entram pessoas chorando. Eles reparam em tudo e perguntam: ‘cadê a buzina?’”.

A aposentada Gilda Bhorer, 68 anos, aprovou a programação do dia. Após homenagear o filho que morreu aos 16 anos, ela elogiou a atuação dos artistas. “Gostei dessas mudanças porque força a gente a fazer um pensamento mais positivo”, avaliou. Já no Jardim da Saudade, os visitantes foram presenteados com o concerto de piano “Viva a Vida”, do pianista Chiquinho Alves.

O que você gostaria de fazer antes de morrer?

A aposentada Gilda Bhorer participou de outra novidade colocada à disposição de quem esteve no cemitério: o mural que convidava a deixar escrito “o que gostaria de fazer antes de morrer”. Gilda escreveu que torce para que os sobrinhos adquiram sabedoria na vida pessoal e profissional. “Eles estão confusos achando que a vida é fácil”, explicou ela.

Mural fez com que visitantes repensassem o que querem da vidaFernando Souza / Agência O Dia

Fernando Reski, o sósia de Chacrinha, também entrou na brincadeira. “Tanta coisa a fazer ainda, mas o que eu queria era ter um teatro com meu nome”, revelou. Entre as diversas mensagens, a maioria das pessoas pedia paz e alegria na vida dos familiares. “Quero colocar meus filhos em uma casa”, escreveu Edilson Teixeira dos Santos. Todos os cemitérios da cidade contaram com missas em vários horários.No São Francisco Xavier, no Caju, o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, conduziu a cerimônia às 8h.

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