Por felipe.martins

Rio - Uma organização criminosa que tinha como principal fonte de enriquecimento a venda de cartões Riocard, Bilhete Único e vales-refeição e alimentação começou a ser desbaratada nesta segunda-feira na Operação Passagem Legal, comandada pela 35ª DP (Campo Grande). Segundo o titular da delegacia, Hilton Alonso, no comando do esquema está o dono de uma empresa de ônibus com mais de 30 anos de atividades na Zona Oeste, a Viação Itaguaí, que serviria de base para as negociações ilegais.

Segundo a polícia%2C empresa utilizava validadores de ônibus fora de operaçãoDivulgação

Uma farta quantidade de Bilhetes Únicos e cartões Riocard, documentos, validadores de cartões e máquinas de cartão de crédito foi recolhida em 13 mandados de busca e apreensão na sede da empresa, em Itaguaí, em lojas e residências em vários pontos do estado. Três suspeitos foram presos em flagrante. Ao todo, oito pessoas foram indiciadas e vão responder por estelionato e lavagem de dinheiro, entre elas o proprietário da Viação Itaguaí, Arthur de Oliveira Chula. O empresário não foi detido por não ter sido flagrado cometendo crime. Na casa dele, no entanto, a polícia apreendeu munições.

De acordo com o delegado, os “clientes” trocavam o saldo contido nos cartões de passagem por 50% da quantia em dinheiro. “A Viação Itaguaí arrecadava o valor das passagens sem que qualquer serviço público de transporte fosse prestado e sem qualquer custo, como a manutenção dos ônibus, contratação de empregados, combustível etc”, afirmou o Alonso.

Os pontos de venda eram localizados em Campo Grande, Santa Cruz, Jacarepaguá, São João de Meriti e Nilópolis. Na loja de Jacarepaguá foram apreendidos R$ 46 mil em dinheiro e um cheque de quase R$ 5 mil em nome de outra empresa, o que levou a polícia acreditar que outras companhias possam fazer parte do esquema.

Serviço é questionado

Além da acusação de fraude com o Bilhete Único, a Viação Itaguaí tem questionamentos em relação aos serviços de transporte. Em junho, o Departamento de Transportes Rodoviários (Detro) do estado retirou a concessão da linha intermunicipal 5901 (Itaguaí-Nonô) que era operada pela empresa, porque a viação não vinha cumprindo as exigências contratuais, inclusive, em relação às condições da frota. O Detro concedeu a operação do serviço à Expresso Mangaratiba, que assumiu a rota em caráter emergencial pelo período de 365 dias ou até a conclusão de licitação para a escolha de nova operadora. Neste período, a Viação Itaguaí pode tentar reaver a linha se cumprir as determinações do órgão.


Ônibus velhos eram usados nas fraudes

Operação ‘Passagem Legal’ apreendeu material das fraudes e dinheiro em lojas e na empresa de ônibus. Ontem%2C três pessoas foram presasDivulgação

De acordo com o delegado Hilton Alonso, os cartões contraídos pelos negociadores nos pontos de venda eram levados para a sede da Viação Itaguaí. Lá, tinham o saldo descarregado nos validadores de ônibus velhos que já estavam fora de operação. O delegado ressalta que a sociedade é lesada pelo crime porque o Bilhete Único é subsidiado pelo Estado. “Com o material apreendido, as investigações continuarão para chegarmos a outras empresas”, disse Alonso. O DIA tentou contactar a empresa por telefone mas ninguém atendeu às ligações.

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