Por thiago.antunes

Rio - Um fenômeno nas águas de Paquetá têm motivado numerosas denúncias de moradores desde o começo de outubro: a morte de milhares de peixes, todos da mesma espécie. Apenas de sexta-feira para cá, foram recolhidas 20 toneladas de savelhas mortas — e quatro tartarugas foram vistas saindo do mar, agonizando antes de morrerem.

Para investigar as causas da mortandade, a Secretaria Estadual do Ambiente fez ontem, junto ao Instituto Nacional do Ambiente (Inea), à Coordenadoria Integrada contra Crimes Ambientais da Secretaria de Estado do Ambiente e à Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente uma operação nas praias da ilha.

O técnico do Inea, Leandro Daemon, informou que os testes feitos na água não identificaram nenhuma substância química, tóxica, ou variações anormais no PH, na salinidade, e na quantidade de oxigênio: “Ainda não temos uma resposta para o que está acontecendo, mas podemos excluir, com certeza, a hipótese de uma poluição química estar levando os bichos à morte”.

Agentes do Inea e outros órgãos ambientais fizeram coleta de material na Baía de Guanabara nesta terçaDivulgação

Cinco savelhas foram enviadas nesta terça-feira ao Departamento de Biologia da UFRJ. A carcaça de uma das tartarugas foi endereçada à Uerj, na última sexta. “Os pesquisadores vão analisar se há algum indício de contaminação pelas vísceras e brânquias dos animais, ou de alguma doença afetando apenas as savelhas”, explicou Leandro.

De qualquer modo, o técnico do Inea constatou um aumento importante na temperatura da água no local. “Marcamos 27 graus, e em alguns lugares mais rasos, ela pode ultrapassar os 30 graus. Pode ser um dos fatores, mas não explica uma mortandade tão grande”.

O técnico também não descartou a interferência do longo período de estiagem e o baixo volume dos rios no ciclo da espécie: “Um impacto climático desse nível pode alterar o ciclo migratório, mas ainda não temos como afirmar nada”.

Há 20 anos de olho na qualidade das águas da Guanabara, o biólogo Mário Moscatelli se diz intrigado: “É uma situação atípica. Nunca vi a morte de uma quantidade tão grande de peixes por um período maior que uma semana — esta se estende para mais de um mês. E normalmente, esses casos estão associados à contaminação da água, o que os exames negam”.

O biólogo ressaltou que as savelhas, por serem mais sensíveis, costumam ser as primeiras a sinalizar para anormalidades na água do mar: “Na Lagoa Rodrigo de Freitas, por exemplo, elas são as primeiras a morrer, em caso de alterações químicas”.

Reportagem de Luiza Gomes

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