Por thiago.antunes

Rio - Policiais da 11ª DP (Rocinha) investigam uma denúncia de agressão sofrida por Carlos Eduardo da Silva, líder sindical na Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio, e sua mulher por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), durante operação da Polícia Militar na comunidade na manhã desta terça-feira. Carlos contou na delegacia que os policiais do Bope entraram em sua casa sem mandado e, com truculência, o seguraram e deram um tapa em sua mulher.

Carlos Eduardo participou recentemente do documentário 'O Estopim', que conta através de depoimentos o caso do ajudante de pedreiro Amarildo Souza, torturado e morto em julho de 2013 após ser abordado por PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na favela. A mulher de Carlos foi levada para o Instituto Médico Legal (IML), onde fez o exame de corpo de delito.

"O tráfico aqui sempre existiu. Ninguém é hipócrita de negar isso. Só que não é por isso que 99% da população tem que apanhar na cara. Eles precisam de uma ação de inteligência. O morador não tem que pagar por isso", disse Carlos Eduardo ao DIA. A assessoria da Polícia Militar informou que todas as circunstâncias envolvendo as denúncias serão apuradas em sindicância. Os policiais envolvidos serão chamados a depor.

Ação na Rocinha deixou quase 900 alunos sem aula 

Cerca de 100 policiais do Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar estão na Favela da Rocinha, na Zona Sul, desde o fim da madrugada desta terça-feira. O objetivo da operação é reprimir o tráfico de drogas que ainda resiste na comunidade, apesar da presença de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Três pessoas foram detidas para averiguação e depois liberadas, dentre elas estava um menor. Além disso, uma quantidade de drogas ainda não contabilizada foi apreendida. As ocorrências estão sendo registradas na 11ªDP (Rocinha).

Mais de 100 policiais militares realizaram nesta terça-feira uma operação contra o tráfico de drogas na RocinhaFoto%3A Fabio Gonçalves / Agência O Dia

Por volta das 10h, policiais e traficantes entraram em confronto na localidade conhecida como Linha da Morte. Participam da operação os policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Batalhão de Choque, Grupamento de Ações com Cães, PMs da UPP e uma aeronave do Grupamento Aéreo Marítimo (GAM).

Por conta da operação, duas escolas, um Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) e uma creche não estão funcionando na comunidade. Com isso, segundo a Secretaria Municipal de Educação, 895 alunos estão sem aulas. Já a Secretaria de Estado de Educação afirmou que todas as unidades da região estão funcionando normalmente.

Na manhã de segunda-feira, um policial militar ficou ferido durante uma troca de tiros com traficantes na localidade conhecida como Cachopa. O PM que não teve a identidade revelada foi atingido na mão e levado para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea.

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