Por nicolas.satriano
Publicado 05/11/2014 21:07 | Atualizado 05/11/2014 21:13

Rio - A página no Facebook "Hoje eu quero voltar sozinha", criada pelas estudantes de Comunicação Social da Puc-Rio, Bruna Leandro, 19, e Sofia Rezende, 21, já reuniu mais de dois mil seguidores em dois dias. O projeto, que começou tímido, já ganha visibilidade principalmente entre o público feminino. E o motivo do sucesso está no objetivo da fanpage: ser um "grito" contra o assédio às mulheres.

"A nossa inspiração vem da própria vivência", contou Bruna. Segundo ela, o interesse pelos direitos da mulher e algumas discussões sobre o tema inspiraram a dupla a criar um espaço para a reprodução de experiências e publicação de mensagens de carinho que possam confortar vítimas de assédio. Ela conta que - diversas vezes - já foi assediada na rua e que tem medo voltar sozinha para casa.

"É um problema porque o ponto de ônibus que eu salto é longe e rua da minha casa é escura. Sempre tenho certo medo", contou Bruna.

Página posta imagens com mensagens de apoio à causa Reprodução Facebook

Além da página no Facebook, as universitárias também adquiriram um domínio e, hoje, publicam no site os relatos que recebem. Nas últimas 48h, Bruna contou receberam cerca de 15 declarações e, inclusive, já chegou a chorar com alguns depoimentos:

"A nossa ideia é que a página seja um canal o mais transparente possível. Postamos do jeito que a pessoa desejar. Não corrigir erros ortográficos, pontuação. Como vier será publicado."

As universitárias esperam que o número de seguidores e de depoimentos enviados aumente. "Vai aumentar de acordo com a confiança estabelecida", afirmou Bruna. "A gente têm um diferencial: dar um conforto, um carinho para que elas falem", completou.

Além da problematização do assédio, as idealizadoras também consideram a famosa "cantada" um ponto crítico observado na sociedade. Segundo elas, a partir do momento em que não há uma relação consensual, ou limite estabelecido, o ato, considerado inocente por alguns, já configuraria invasão da privacidade da mulher e abuso. "O que cansa é o homem se sentir no direito de sempre dar opinião sobre a mulher", disse a estudante.

Confira trecho de postagem do site:

"Já me senti assediada uma vez no ônibus. Estava no assento da janela e um senhor mais velho no do corredor. Quando eu levantei para saltar, ele não se levantou e nem virou de lado pra me dar passagem. Tive que forçar um pouco. Daí, ele passou a mão na minha coxa."

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