Por thiago.antunes

Rio - A esperança para 500 famílias da recém-criada Ocupação Zumbi dos Palmares, no Jardim Catarina, município de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, de ter um lugar próprio para morar ganhou fôlego novo após uma reunião intersetorial, realizada na manhã desta quarta-feira, entre cinco líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e representantes das secretarias municipais de Desenvolvimento Social, Habitação e Planejamento.

Integrante do grupo nacional e coordenador no Rio, o professor de Sociologia do Ensino Médio Guilherme Simões, de 29 anos, informou que será implantado um grupo de trabalho para estudar alternativas para os ocupantes. Entre elas, espera o líder, está localizar o proprietário do terreno, até agora não identificado, para possível negociação com o poder público. Há especulações de que o lote de 60 mil metros quadrados, ocupado por cerca de 1,5 mil pessoas desde sexta-feira passada, pertença a um padre já falecido; outros acreditam que o dono seja um empresário.

Prefeitura afirma que vai dialogar com o MTSTDivulgação

“A prefeitura também vai procurar áreas públicas para construção de conjuntos habitacionais, enquanto aguardamos sermos beneficiados com a parceria do governo federal, por meio do Programa Minha Casa Minha Vida”, destacou Simões. Morador do Rio há pouco mais de 12 meses, ele integra o Movimento há nove anos e já ajudou mais de 3 mil famílias de outras regiões – como São Paulo (SP), Campinas (SP) e Fortaleza (CE) - a conquistarem a casa própria, inclusive a dele, em agosto passado.

Primeira do gênero no Rio, a Ocupação Zumbi dos Palmares do MTST foi batizada com este nome, durante assembleia dos moradores, por causa da identificação dos populares com um dos mais importantes líderes da luta dos negros no País. Criado há menos de uma semana, o grupo – a maioria composta por moradores dos bairros Jardim Catarina e Santa Luzia - foi se formando aos poucos pelas redes sociais, quando as famílias começaram a entrar em contato com a página do Movimento no Facebook.

A partir daí, eles decidiram ocupar o terreno, até então usado para despejo de entulhos. Eles alegam que estão sofrendo com os preços elevados dos aluguéis e com a especulação imobiliária, principalmente por causa do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) e da possível chegada da Linha 3 do metrô na região.

Moradores celebraram diálogo com a PrefeituraDivulgação

Nesta quarta-feira mais cedo, antes da reunião com os representantes das secretarias, aproximadamente 300 sem teto marcharam em manifestação pelas ruas da cidade até a porta da Prefeitura de São Gonçalo, onde os líderes do MTST foram recebidos. As 500 famílias estão morando embaixo de barracos improvisados feitos de lonas e só conseguem ter acesso à água para beber e tomar banho graças à ajuda de um vizinho, que tem um poço artesiano.

Apesar das condições precárias, Simões garantiu que as centenas de crianças que estão no terreno ocupado continuam frequentando as aulas normalmente. No domingo, seis barracos pegaram fogo, que foi controlado pelos moradores. Eles acreditam que a ação tenha sido criminosa. Ninguém se feriu. Em nota, a Prefeitura de São Gonçalo informou que “as reivindicações foram ouvidas e foi formada uma comissão que continuará as discussões e voltará a se reunir na próxima quarta-feira”.

“Existe um comprometimento do governo federal em construir 12 mil moradias populares para reduzir o déficit habitacional existente na cidade, que é de aproximadamente 20 mil moradias.” A nota ainda informa que “não existe, por parte da prefeitura, a possibilidade de qualquer intervenção no terreno que foi ocupado, que é de propriedade particular”.

De acordo com a secretária municipal de Habitação, Evangelina Andrade, “estamos ouvindo os representantes do Movimento e entendemos que é importante ouvir as necessidades desse grupo. A administração municipal está empenhada em reduzir esse déficit habitacional, mas existe um cadastro que precisa ser respeitado e que segue as normas do programa de habitação Minha Casa Minha Vida”, declarou ela, por meio da mesma nota.

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