Por paulo.gomes
Publicado 05/11/2014 13:35 | Atualizado 05/11/2014 13:35

Rio - A comunidade da Rocinha, na Zona Sul, teve uma manhã tranquila nesta quarta-feira, após a megaoperação da última terça-feira, que contou com cerca de 500 policiais militares. Segundo a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), não teve registro de confrontos durante a madrugada e o policiamento está intensificado na região.

Na ação de terça, que contou com homens dos batalhões de Operações Policiais Especiais (Bope), Choque, Ações com Cães (BAC), Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) e do Grupamento Aéreo Marítimo (GAM), foram apreendidos um notebook que estava na casa de um traficante, 267 papelotes de cocaína, 141 trouxinhas de maconha, 25 tabletes de maconha, um frasco de cheirinho da loló, uma bomba caseira, um tubo de fogos de artifício, munição de diversos calibres, quatro radiotransmissores, dois celulares, quatro cadernos com anotações do tráfico e material de endolação.

Além disso, dois homens foram presos, e um menor, apreendido. Toda a ocorrência foi levada para a 11ªDP (Rocinha). Por conta da operação, duas escolas, um Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) e uma creche não funcionaram na terça. Com isso, segundo a Secretaria Municipal de Educação, 895 alunos ficaram sem aulas. Já a Secretaria de Estado de Educação afirmou que todas as unidades da região funcionaram normalmente.

Diretor de curta sobre Amarildo denuncia agressão

Policiais da 11ªDP investigam uma denúncia de agressão sofrida por Carlos Eduardo da Silva, líder sindical na Favela da Rocinha, e sua mulher por agentes do Bope, durante a operação de terça-feira. Carlos contou na delegacia que os policiais entraram em sua casa sem mandado e, com truculência, o seguraram e deram um tapa em sua mulher.

Carlos Eduardo participou recentemente do documentário 'O Estopim', que conta através de depoimentos o caso do ajudante de pedreiro Amarildo Souza, torturado e morto em julho de 2013 após ser abordado por PMs da UPP na favela. A mulher de Carlos foi levada para o Instituto Médico Legal (IML), onde fez o exame de corpo de delito.

"O tráfico aqui sempre existiu. Ninguém é hipócrita de negar isso. Só que não é por isso que 99% da população tem que apanhar na cara. Eles precisam de uma ação de inteligência. O morador não tem que pagar por isso", disse Carlos Eduardo ao DIA . A assessoria da Polícia Militar informou que todas as circunstâncias envolvendo as denúncias serão apuradas em sindicância. Os policiais envolvidos serão chamados a depor.

Você pode gostar