Por thiago.antunes

Rio - A polêmica que continua envolvendo as discussões sobre a transposição do rio Paraíba do Sul, que pode vir a atender à cidade de São Paulo através do desvio das águas para o Sistema Cantareira, não tem tirado a já conhecida tranquilidade do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão.

Ao ser indagado por adotar um discurso mais flexível em comparação ao seu antecessor, o ex-governador Sérgio Cabral, que garantiu no início do ano que não aceitaria a transposição desta bacia hidrográfica, Pezão justificou que o momento é outro e ainda manteve seu discurso de que concordará com a decisão da Agência Nacional de Águas (ANA).

“Não dei uma declaração diferente do (ex) governador. Em abril (quando Cabral expôs sua posição negativa para o caso), não tinha esse problema da seca. Mas meu tom sempre será esse. Não vou fazer do Estado uma trincheira para brigas”, disse ele, após a solenidade de formatura dos 98 novos peritos criminais, na manhã desta quinta-feira, na Cidade da Polícia, bairro do Jacaré, Zona Norte.

'É o governo federal quem regula e legisla este rio. O que a ANA decidir%2C nós vamos acatar'%2C diz Pezão Bruno de Lima / Agência O Dia

Pezão reafirmou o que já havia dito na quarta-feira, quando esteve em Brasília. “É o governo federal quem regula e legisla este rio. O que a ANA decidir, nós vamos acatar. No próximo dia 20, o ministro (Luiz) Fux (do Supremo Tribunal Federal) irá se reunir com os governos de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.”

O rio Paraíba do Sul abastece a Região Metropolitana do Rio e sua possível transposição já tem causado temor diante da possibilidade de haver desabastecimento de água no Estado. Sua transposição tem sido cogitada como praticamente a única alternativa para socorrer a população da cidade de São Paulo, que há várias meses vem sofrendo com a pior seca de sua história.

Um consenso, no entanto, parece ainda estar longe em curto prazo. Prova disto está na decisão do ministro Fux de marcar um encontro entre representantes dos Estados envolvidos para daqui 14 dias. Até lá, a situação pode até mudar, se as chuvas esperadas começarem a cair, oferecendo certo alívio aos municípios brasileiros castigados pelo longo período de estiagem.

Em Campos%2C onde o nível do Paraíba atinge seu nível mais crítico%2C prejuízos chegam a R%24 200 milhõesFolha da Manhã / Agência O Dia

Na opinião do procurador Eduardo Santos, autor da ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal em Campos (RJ), contra a transposição do rio, a iniciativa do STF de marcar a reunião foi positiva. “O ministro compreendeu a gravidade da situação narrada pelo MPF e o ponto alto da decisão. Creio ser inédita a intimação pessoal dos três governadores para uma tentativa de construir soluções e alternativas negociadas para a crise da água”, declarou Santos, em comunicado à imprensa.

Há poucos dias, o ministro Fux indeferiu o pedido liminar do MPF no Rio. “O indeferimento da liminar não foi visto como de todo ruim, na medida em que ainda não há obras de transposição do rio. Além disso, a liminar pode ser reapreciada a qualquer tempo, já que diante das circunstâncias e do agravamento da crise da água, consideramos positiva a decisão de convocar reunião para debater o assunto e buscar soluções negociadas”, destacou o procurador em nota.

O governador Luiz Fernando Pezão acredita na garantia dada pelo governo federal de que o Rio não terá perdas, no caso de uma transposição do rio Paraíba do Sul, “porque há técnicos competentes trabalhando para que ninguém sofra com isso”.

O nível dos reservatórios da Bacia do Paraíba do Sul chegou%2C no final de setembro%2C a 12%2C9%%3A preocupaçãoHelena Souza / Folha da Manhã

“Nem o governador (de São Paulo) Geraldo Alckmin, nem a ministra (do Meio Ambiente) Izabella (Teixeira), Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e a ANA (Agência Nacional de Água) vão tomar uma decisão para prejudicar o Rio de Janeiro. A Cedae garante que tem água suficiente para nos abastecer e está começando agora os períodos das chuvas. Temos mananciais cujas águas já subiram acima da média”, informou.

Problemas no interior

“Vamos ter calma e tranquilidade e torcer para que chova nos lugares certos. Temos alguns lugares com problemas de seca, como as regiões Norte e Noroeste do Estado. Estive recentemente em São Fidélis e Itaperuma. A gente está vendo maneiras de resolver o problema destes lugares de imediato. Estamos em contato com os prefeitos, considerando que alguns municípios decretaram estado de emergência. Muitos já perderam cabeças de gado. Estamos passando pela pior seca da história, mas nossos técnicos sabem o que prejudica ou que não prejudica o abastecimento do Rio e da Região Metropolitana”, disse Pezão.

O MPF no Rio, que ajuizou um pedido cautelar para que não haja a transposição do Paraíba do Sul, afirma que um desvio das águas para São Paulo traria prejuízos ambientais e falta de água para o povo fluminense, já que este rio é a principal fonte de abastecimento do Região Metropolitana do Rio.

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