Por adriano.araujo

Rio- Os números são altos. Por ano, 30 mil jovens entre 15 a 29 anos são assassinados no Brasil. Desse total, 77% são negros. No Rio, de cada mil jovens assassinados, 64 são negros. Para diminuir essas taxas e tirar esse crime da invisibilidade foi lançada ontem, no Aterro do Flamengo, a campanha ‘Jovem Negro Vivo’, promovida pela Anistia Internacional. A programação do evento contou com atividades como skate, apresentações de passinho, esculturas de arame lembrando jovens mortos e muita música, com o DJ Saens Peña, da Festa Phunk, e DJ Flash, do Baile Black Bom.

“A campanha quer mobilizar a sociedade e romper a indiferença com que o alto índice de homicídios de jovens negros é tratado no Brasil. Em pleno século 21, é inaceitável que as pessoas ajam com tamanha frieza. A sensação que temos é que as pessoas não se importam mais”, analisa Alexandre Ciconello, assessor de Direitos Humanos da Anistia Internacional e um dos coordenadores da campanha.

Durante ato%2C público pôde conferir as várias esculturas de arame que lembravam os jovens mortos e o fato de eles serem tratados como invisíveisErnesto Carriço / Agência O Dia

Ciconello reforça que a impunidade para esses crimes existe por conta do racismo ainda muito latente na sociedade atual. “A questão é que o jovem que está morrendo é aquele de origem humilde, que veio de comunidade e que é negro em sua maioria. Por isso o problema não entra na agenda da política nacional. Vamos desnaturalizar essa violência e, com isso, romper com a indiferença”.

O projeto ainda conta com um vídeo que leva o nome da campanha e um manifesto que pode ser encontrado na página da Anistia Internacional (anistia.org.br). “Quando falamos sobre o manifesto, questionamos as pessoas perguntando se elas se importam. Quem se incomoda com essa situação, assina. A ideia é recolher o máximo de assinaturas possível e levar essa ação para as autoridades estaduais e federais, para abrir um diálogo e formular políticas públicas de redução de homicídios”, explica.

Várias atrações agitaram a tarde no Aterro%2C como apresentações de DJs e grupos de dança. Dream Team do Passinho foi um dos destaques Ernesto Carriço / Agência O Dia

Maria de Fátima dos Santos, de 55 anos, fez questão de participar do evento. Ela é mãe de Leonardo dos Santos, assassinado por policiais em abril de 2012, na Rocinha. “Quando uma tragédia como essa acontece na nossa vida, a gente tenta se esconder. Mas toda vez que eu vejo uma notícia que um jovem morreu, sinto como se estivessem matando o meu filho novamente. Aqui, além de reafirmar a nossa luta, apesar da dor, hoje foi um momento de alegria. Ver todos esses meninos e meninas aproveitando a vida é muito bom. Agora é por eles que eu vou lutar. Desejo que os jovens possam sair de casa sem medo de nunca mais voltar”.

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