Por thiago.antunes
Publicado 14/11/2014 00:13

Rio - O acalorado debate sobre a postura do juiz João Carlos de Souza Correa, que deu voz de prisão à agente da Lei Seca, Luciana Tamburini, em 2011, continua gerando polêmica. Nesta quinta-feira, conselheiros da Ordem dos Advogados do Rio (OAB) decidiram pedir seu afastamento imediato ao Conselho Nacional de Justiça. A Associação dos Magistrados Brasileiros, por sua vez, censurou a entidade pelo que seria uma tentativa de “linchamento moral dos magistrados”.

A agente da Lei Seca Luciana Tamburini%3A satisfeita com apoio da OABErnesto Carriço / Agência O Dia

O presidente da OAB regional, Felipe Santa Cruz, alegou que, em função do histórico de “atitudes impróprias” do juiz João Carlos Correa, existe um risco no exercício de sua profissão: “É um caso atípico, que não corresponde ao comportamento geral dos magistrados”. “A sociedade não aceita mais o ‘você sabe com quem está falando’, a distinção por cargo e origem, como se esse os magistrados vivessem ainda na ditadura”, enfatizou Felipe Santa Cruz.

O presidente da OAB também demonstrou preocupação com o bom funcionamento da Lei Seca. “Se acharmos que nem todos são iguais quando forem parados pelos agentes, esse é o primeiro passo para o desmantelamento da operação”. A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) não deixou barato. Nesta quinta-feira mesmo a entidade de classe emitiu nota de repúdio à criação de uma campanha nacional para denunciar abusos de magistrados que desrespeitam a Constituição, anunciada no mesmo dia pela OAB.

No entendimento da associação, a campanha teria o objetivo de prejudicar a imagem da Magistratura brasileira. “É lamentável que a OAB-RJ tente explorar uma conduta isolada, que compõe um processo ainda em andamento na Justiça, para promover o linchamento moral dos magistrados”, diz a nota.

A agente da Lei Seca Luciana Tamburini, porém, que também é estudante de Direito, se mostrou contente com o apoio da Ordem. “Achei uma atitude de muita coragem. Quanto ao pedido de afastamento, não cabe a mim julgar, mas acho que o histórico do juiz João Carlos fala por si só”, comentou. Das denúncias de abuso de autoridade recebidas pela Ordem, quatro constarão do pedido de afastamento.

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