Por adriano.araujo

Rio - Após nove horas até que o incêndio fosse controlado na quinta-feira, o trabalho do Corpo de Bombeiros no rescaldo das chamas que atingiram o supermercado atacadista Assaí ainda durou o dia inteiro desta sexta-feira. No local, era possível ver muita fumaça até o período da tarde. Onze imóveis foram interditados por causa do incidente, nove deles preventivamente. Uma das casas desabou e a outra não tem possibilidade de recuperação e será demolida. De acordo com o subsecretário de Defesa Civil do Rio, Márcio Motta, o mais importante é evitar que novos desabamentos da estrutura do supermercado danifiquem os imóveis que ainda podem ser recuperados.

Motta afirmou que 15 famílias, ou seja, mais de 40 pessoas estão hospedadas em hotéis pagos pelo Grupo Pão de Açúcar, responsável pelo Assaí. Segundo ele, a previsão é que todos possam retornar para suas casas até domingo. "A prioridade é começar o trabalho eliminando os riscos que colocam preventivamente interditados esses imóveis. Nós começaremos a demolição lá pelos fundos do supermercado, tirando o risco de projeção de desabamento sobre os imóveis deles para que esses moradores possam voltar logo para suas casas", explicou.

Ainda há focos de incêndio e muita fumação na estrutura da loja. Demolição vai começar pelos fundosSeverino Silva / Agência O Dia

Débora Salles morava no imóvel de número 150 da Rua Alaíde, a poucos metros do Assaí. Segundo ela, a assistência do supermercado tem sido satisfatória após o desabamento da sua propriedade. "O que me preocupa, por enquanto, é a situação dos meus animais de estimação... como estamos no hotel, não podemos ficar com eles. Eles estão nas casas de amigos e parentes, mas são oito bichos no total, então estão espalhados", disse Débora.

Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) foram até o local para começar a investigação. De acordo com funcionários do supermercado, o fogo teria começado após um curto-circuito em uma tomada da loja. Segundo a empresa, é aguardada a "finalização das avaliações e o laudo dos órgãos responsáveis" para "tomar as medidas cabíveis". A Polícia Civil informou que a perícia demora de 15 dias a um mês para ficar pronta.

Preocupação

O dia seguinte ao incêndio de grandes proporções ainda é carregado de preocupação. A funcionária pública Maria da Silva Ribeiro, 60, é moradora da Rua Maria José e teve que passar o dia fora de casa na quinta, por precaução. Ela relata que não houve danos no seu imóvel, mas a inquietação persiste.

"Nós ficamos a biscoito e água durante o dia inteiro, mas entendemos que esse é um trabalho de prevenção dos bombeiros. Eu estava apavorada, ainda estou sob efeito de remédios. Nós escutamos as explosões, foi muito perto e sempre temos medo que aconteça alguma coisa com nossas casas, mas por enquanto está tudo bem", afirmou.

Ainda há focos de incêndio e muita fumação na estrutura da loja. Demolição vai começar pelos fundosSeverino Silva / Agência O Dia

Com quatro filhos e uma neta, a doméstica Fabiane Morete, 35, ainda não sabe o que vai acontecer com a sua família, mesmo após concluído o trabalho da Defesa Civil. Ela afirmou que praticamente toda a sua família - com 15 pessoas - morava no mesmo terreno da Rua Alaíde, com quatro casas. "Consegui entrar para buscar meus pertences mais urgentes, como roupas e coisas de higiene. Lá tem uma rachadura enorme, acho que não dá para voltar com a casa daquele jeito. O que mais queremos é voltar para casa, mas a segurança vem em primeiro lugar", disse.

Sucata vira pó no depósito do Detran

Um incêndio em depósito do Detran, na Rodovia Washington Luiz, altura do KM 107, em Santa Cruz da Serra, Duque de Caxias, destruiu cerca de 700 veículos nesta sexta-feira à tarde. A maioria era sucata. As chamas foram controladas após seis horas de combate por parte de 40 homens de três quartéis do Corpo de Bombeiros. Ninguém ficou ferido. Ainda não se sabe a origem do incêndio.

Em nota, o Detran afirmou que o pátio onde aconteceu o incêndio não recebe veículos apreendidos desde outubro de 2013. O departamento não soube informar quantos veículos pegaram fogo. Atualmente, o depósito ainda abriga cerca de 3,5 mil veículos, a maior parte deles inservíveis (sucatas), cuja prensagem estava prevista para o início do próximo ano. Dos 12 mil veículos prensados pelo Detran desde 2013, um total de 1,7 mil estavam guardados no pátio de Santa Cruz da Serra.

Ainda segundo o Detran, o depósito possui uma brigada de incêndio do Corpo de Bombeiros, devido a um convênio celebrado com o Proeis (Programa Estadual de Integração na Segurança), que realizou o primeiro combate às chamas e que acionou a base da corporação.

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