Moradores do entorno do mercado não sabem quando voltam para casa

A Defesa Civil não deu garantias sobre quando as casas interditadas preventivamente poderão ser habitadas de novo

Por O Dia

Rio - O primeiro sábado após o incêndio que devastou o mercado atacadista da rede Assaí, no Campinho, foi marcado por incertezas por parte dos moradores do entorno do prédio consumido pelas chamas. Na manhã de sábado, bombeiros ainda faziam o rescaldo de possíveis pequenos focos de incêndio. Segundo o subsecretário da Defesa Civil, Márcio Motta, a prioridade será as famílias que foram afetadas com o incêndio.

"Nosso trabalho hoje é orientar a forma como serão feita as demolições, preservando os imóveis das pessoas e atacando duas prioridades: demolir os fundos do supermercado nos fundos da Rua Alaíde, para tirar os riscos das casas que estão preventivamente interditadas e na Rua Domingos Lopes, na frente do Supermercado, tirando o risco de desabamento para a via para podermos reestabeelcer o mais rápido possível a reabertura da rua.", disse o subsecretário.

Bombeiros ainda faziam o rescaldo da estrutura pela manhãSeverino Silva / Agência O Dia


Márcio Motta também informou que não sabe ao certo quanto tempo essa demolição pode levar, pois a estrutura do mercado está muito frágil e corre o risco de desabar a qualquer momento, mas a expectativa é que a operação comece assim que os militares finalizarem o trabalho de rescaldo. Ainda segundo o subsecretário, não há garantia que os imóveis serão devolvidos pela rede de supermercado, mas ele acredita que a rede Assaí vai ressarcir as famílias prejudicadas.

Enquanto a ajuda não chega, os moradores prejudicados pelo incêndio convivem com a indefinição de quando terão suas casas de volta. Elma Alice Rosa teve sua casa interditada e está morando em um hotel com sua família. "A casa está em pé, mas está toda rachada. Não aguentamos mais ter que ficar no hotel, as crianças não estão indo para escola devido a esta situação", contou a moradora, que teve que sair de casa sem levar nada. Ela e mais 14 pessoas estão hospedadas em um hotel na Praça Seca, pago pela rede Assaí.

Moradora da Rua Domingos Lopes, 121, Rebeca Alves, de 35 anos, também teve sua casa interditada, porém devido a queda de um muro do mercado em seu quintal, esta será demolida. "A minha casa está inteira, só foi interditada por causa do muro lateral do supermercado que tá justamente virada para o quintal. Eu fui lá ontem tirar minha gata, mas ela está inteira. Não sei como vão fazer para demolir aquilo, porque senão vão acabar com um quarteirão de família", contou a moradora, que também não conseguiu resgatar os seus pertences. Não há outros relatos de animais presos nos escombros.

Moradores convivem com a incerteza de quando poderão voltar para casaSeverino Silva / Agência O Dia


Outra moradora que precisou sair de casa foi Valquiria Sarmanho Pastoso, de 70 anos, "Fiquei muito triste, quando acordei, parecia ser algo tranquilo, mas acabou tomando outras proporções.". Além da tristeza de não poder ficar em sua casa, a idosa também comentou sobre uma das possíveis causas do incêndio. "A estrutura e o atendimento (do mercado) eram muito bons, o grande problema era a fiscalização, que não temos no nosso país. Recentemente chamei a atenção do gerente pois as mercadorias ficavam no meio do caminho e isso não é certo.", comentou Valquiria.

Inicialmente, a Defesa Civil declarou que até domingo, as famílias que tiveram suas casas interditadas preventivamente poderiam voltar, mas após novas avaliações do local, não há prazo para que as casas possam ser novamente habitadas. Enquanto não há uma resposta das autoridades, um representante da rede Assaí que está no local garantiu que irão construir novas casas para as famílias afetadas e continuarão dando assistência para os prejudicados.