Policiais são atacados em segundo dia seguido de tiroteio na Rocinha

O pedido de encerramento de um baile onde estariam sendo vendidas drogas teria sido o estopim para o confronto armado

Por O Dia

Rio - Durou cerca de meia-hora a troca de tiros entre PMs da UPP da Rocinha e traficantes, na tarde deste sábado. É o segundo dia seguido de confronto. Não há informação de feridos, e equipes do Bope estão no local, fazendo varredura na região conhecida como Terrerão. Segundo informações da Coordenadoria das UPPs, traficantes chegaram a usar granadas contra os policiais, que pediram reforço.

O troca de tiros ocorreu quando oito PMs faziam patrulhamento a pé na Rua 1, Terrerão, quando foram atacados por bandidos armados por volta das 15h30.

Segundo a reportagem apurou, haveria um baile no local, e traficantes aproveitariam o evento para vender drogas. A Coordenadoria das UPPs, no entanto, informa que a unidade local não foi procurada com pedido de autorização para a realização do baile.

Tiroteios têm sido constantes na comunidadeFoto%3A Fabio Gonçalves / Arquivo Agência O Dia

O confronto começou, segundo testemunhas, quando os policiais determinaram o desarme das caixas de som, que já começavam a ser instaladas.

O Bope ocupará a Rocinha até pelo menos domingo de manhã. Há relatos de que tem havido frequentes trocas de tiro entre PMs e traficantes.

Na sexta-feira, pela manhã, também houve tiroteio e o comércio fechou as portas. Em artigo publicado na edição de sábado do DIA, o coordenador do Movimento Popular de Favelas, William de Oliveira, afirmou que, morando há 43 anos na Rocinha, nunca ouviu tantos tiros diários na favela.

William de Oliveira: Rocinha em pé de guerra

"O tiroteio voltou a fazer parte da rotina de uma das maiores favelas do Brasil", escreveu.

Procurada pela reportagem, a Coordenação das UPPs  disse que não é responsável por quantificar o número de tiroteios que acontecem na comunidade. Além disso, a assessoria informaou que não há como estabelecer uma causa para o aumento dos confrontos entre PMs e traficantes no local pelo "pouco tempo" do comandante na comunidade. Leia abaixo a nota na íntegra:

"Não fazemos o levantamento de troca de tiros nas comunidades, portanto não temos como fazer tal avaliação. O comandante da UPP Rocinha está há pouco tempo na comunidade, três meses, e não tem conhecimento da realidade anterior para poder avaliar sobre esse possível aumento."

Imprensa é recebida a tiros

Uma equipe de reportagem do jornal 'O Globo' foi recebida a tiros na manhã desta sexta-feira na Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul.

Os jornalistas chegavam ao local para fazer uma matéria sobre desapropriações provocadas pelo alargamento de uma via na comunidade, parte das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2).

Leia: Jornalistas são recebidos a tiros e impedidos de trabalhar na Rocinha

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