Wilson Diniz: O Rio é verde e conservador

Em livro, professor norte-americano defende teses de que as pesquisas de intenções de votos 'talvez sejam a maior dentre todas as fontes de falácias matemáticas na sociedade moderna'

Por O Dia

Rio - O matemático e jornalista americano Charles Seife, professor de jornalismo da Universidade de Nova York, no seu livro ‘Os números (não) mentem’, desconstrói fundamentos das pesquisas políticas inventadas pelo estatístico George Gallup, que em 1936 previu a vitória de Franklin Roosevelt contra o candidato do Partido Republicano, Alf Landon, nos Estados Unidos.

O professor Charles defende teses de que as pesquisas de intenções de votos “talvez sejam a maior dentre todas as fontes de falácias matemáticas na sociedade moderna”. Servem para jornalistas criarem ambientes de tendências eleitorais, muitas das vezes a serviço dos donos de veículos de comunicação. 

Charles diz que os jornalistas ficam tagarelando sobre os números e fazendo previsões que em certas vezes não se concretizam. Alberto Carlos Almeida, no seu livro ‘A cabeça do eleitor, cita vários casos de eleições no Brasil em que candidatos despencaram nas pesquisas depois de declarações e manchetes de jornais.

Almeida recorre ao caso FHC, quando o ex-presidente disse que “todo aposentado é vagabundo”. Em consequência, não fez o sucessor.

Ciro foi outro exemplo que despencou nas pesquisas depois de suas declarações desastrosas. O caso Lunus derrubou a candidata Roseana Sarney quando foram encontrados pacotes de dinheiros – R$1,34 milhão – em sua empresa. Todos esses fatos são suficientes para mostrar o poder das manchetes e das pesquisas para destruir adversários.

Nas eleições presidenciais deste ano, Aécio é exemplo típico de como os jornalistas de alguns grandes veículos de comunicação foram tendenciosos. Se revelaram tucanos de carteirinha, camuflando sua opção eleitoral quando as pesquisas mostravam o candidato com possibilidades de vitória. Num ambiente de complexidade eleitoral, mas decifrável, alguns comentaristas políticos não destacaram em suas análises que Aécio plantou seu calvário quando disse, no debate da Band, que a presidenta “estava sendo leviana”. Ele entraria em queda nas pesquisas de intenções de votos.

No Rio, os institutos foram incapazes de mostrar que 20% do eleitorado da cidade votariam na ambientalista Marina Silva e que 52% dos seus votos seriam transferidos para o tucano. O Rio é verde, azul-tucano e conservador, e os caras não perceberam...

Wilson Diniz é economista e analista político

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