Maioria dos novos deputados é parente de políticos ou já ocupou cargo público

A necessidade de mudança na política se traduziu em renovação de um terço dos parlamentares da Alerj em 2015

Por felipe.martins

Rio - Repetida a exaustão na campanha eleitoral, a necessidade de mudança na política se traduziu em renovação de um terço dos parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio em 2015. Dos 70 que estarão na Casa, 31 não estão na atual legislatura e continuam anônimos às vésperas de serem diplomados pelo Tribunal Regional Eleitoral (no próximo dia 15). O DIA traçou um perfil dos novos “moradores” do Palácio Tiradentes e constatou que poucos, de fato, são caras novas na política fluminense.

A maior parcela do grupo das “novidades” — 15 deputados — já ocupou algum cargo na administração pública ou se candidatou a algum mandato eletivo. Sete deles foram vereadores em cidades como São João de Meriti, Nova Friburgo e Belfort Roxo. Seis têm algum grau de parentesco com políticos tradicionais do Rio, como Jorge Felippe Neto (PSD), filho do deputado federal Rodrigo Bethlem (PMDB) e neto do presidente da Câmara de Vereadores, Jorge Felippe (PMDB), e Renato Cozzolino (PR), representante da poderosa família de Magé.

Quatro vão reestrear no plenário, como Jorge Picciani (PMDB), que articula para ser presidente da Casa, e Zito (PP), que foi também prefeito de Duque de Caxias. O mesmo número de parlamentares é ligado a igrejas evangélicas, como Benedito Alves (PMDB), radialista e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus.
Um dos estreantes é o petista Dr. Sadinoel, eleito com 30 mil votos, e um dos novatos com maior bagagem política. Representante de Itaboraí no Palácio Tiradentes, ele já foi candidato a prefeito e vice-prefeito por partidos como PDT, PR e PRB. Hoje no PT, ele não se diz de “esquerda” e afirma “apanhar” de setores do partido por ser “cara de centro”. “Os partidos precisam ser estudados, um novo pensamento político surgiu”, diz.

O futuro deputado da Alerj se prepara para entrar em rota de colisão com a presidência do PT: Sadinoel defende a adesão do partido ao governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB), posição refutada por Washington Quaquá, presidente estadual petista. “Pezão é o cara para ser o elo entre o Rio e o governo federal.”

Clique sobre a imagem para a total visualizaçãoArte O Dia

Nascida Jucelia Freitas, a baiana Tia Ju, do PRB, estreou em eleições neste ano e se tornou a 13ª deputada mais votada do Rio com quase 75 mil votos. A votação expressiva para uma “desconhecida” se justifica, segundo ela, pela ação de cabos eleitorais infantis.

Há 23 anos, ela trabalha com educação bíblica para crianças e hoje coordena projetos na Igreja Universal do Reino de Deus. “Trabalho resgatando o amor ao próximo, o respeito a Deus. É com esse sentimento que vou para meu mandato.”

Iniciante no jogo político, ela é tímida ao falar dos arranjos que seu partido desenha para a estreia na Alerj. “É um trabalho muito polêmico”, resume. Embalado pela campanha de Marcelo Crivella, que conseguiu ir ao segundo turno, o PRB elegeu três deputados estaduais e se uniu ao PR, de Anthony Garotinho, num novo bloco de oposição. Por mais cargos na mesa diretora, o grupo apoiará Jorge Picciani (PMDB) para a presidência da Casa.


Fortalecido com a boa votação de Tarcísio Motta ao governo do estado, o Psol aumentou a bancada e elegeu cinco deputados. Um dos novatos é o professor de sociologia da Fiocruz Flávio Serafini, terceiro colocado nas eleições para prefeitura de Niterói em 2012.

A bancada psolista decidiu não se unir ao PR e ao PRB na composição de uma chapa de oposição ao PMDB na Alerj, mas, mesmo assim, promete agitar a Casa a partir do ano que vem. Em reuniões realizadas pelo grupo, já surgiram projetos ambiciosos “Queremos uma CPI para analisar o processo de despoluição da Baía de Guanabara”, afirma Serafini.

Últimas de Rio de Janeiro