Viúvo culpa PM por morte de sua esposa na porta do Cemitério do Caju

Segundo Messias Marques, os filhos disseram que o tiro que matou Célia Maria Peixoto saiu da arma de um policial

Por O Dia

Rio - Familiares da Célia Maria Santos Peixoto, de 58 anos, que morreu na tarde de segunda-feira após ser baleada durante um confronto entre policiais militares e bandidos, no Caju, desabafaram nesta terça, no Instituto Médico Legal (IML), onde foram liberar o corpo da empregada doméstica. Desolado, o viúvo Messias Marques culpou o despreparos dos policiais militares pela morte de sua esposa.

"Eu condeno o que esses policiais fizeram. Meus filhos falaram que as balas saíram dos policiais, minha mulher foi mais uma vítima da violência no Rio de Janeiro. Hoje em dia, a gente sai de casa e não sabe se volta. O Rio precisa mudar", disse Messias, revoltado por ainda não ter sido procurado por nenhuma autoridade.

O eletricista Messias Marques esteve na manhã desta terça-feira no IML para liberar o corpo de sua esposa Célia Maria Peixoto%2C morta na tarde de segunda-feira%2C no CajuCarlos Moraes / Agência O Dia

De acordo com o viúvo, o filho Márcio Pinheiro Peixoto está se culpando pela morte da mãe, que será sepultada nesta terça, às 16h, no próprio Cemitério do Caju. "Meu filho está arrasado, não para de chorar, falando que não conseguiu salvar a mãe".

Márcio e a irmã, Monique Peixoto Pinheiro, estavam com Célia no momento em que ela foi baleada durante o tiroteio entre PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Caju e bandidos próximo ao Cemitério do Caju. A filha garante que o tiro que matou a empregada doméstica saiu da arma de um policial.

"O tiro saiu da arma dos policiais, eu vi. Eu quero Justiça. Enquanto eu viver, vou lutar por Justiça. Quando ouvimos os tiros, nós nos abraçamos e caímos no chão. O policial estava na janela do carro atirando e não foi um tiro só. Eles só voltaram para prestar socorro depois que eu comecei a gritar", afirma.

Outra filha da vítima, Ana Carolina, também criticou a ação dos policiais militares. "Nada do que for feito vai trazer a minha mãe de volta. O que houve foi o despreparo da Polícia Militar, que além de ter atirado com as pessoas na rua, demorou a notificar a Polícia Civil".

Um princípio de confusão aconteceu quando o sobrinho de um policial militar, que não quis se identificar, chegou no IML. Ele acusou de que quando um PM é assassinado não tem a mesma comoção. Houve um princípio de bate boca com as filhas de Célia, mas que logo teve fim.

PMs têm armas recolhidas pela Divisão de Homicídios

A Divisão de Homicídios (DH) da Capital está investigando a morte de Célia Maria. De acordo com afirmação do delegado Rivaldo Barbosa nesta terça, onze pessoas já prestaram depoimento, entre elas seis PMs da UPP Caju que estavam na ação.

"Os policiais militares foram acionados pelo rádio de que havia um carro roubado. Eles foram abordar esse carro e os traficantes reagiram e nessa troca de tiros a D. Célia foi atingida mortalmente. Todas as armas dos policiais estão apreendidas, estão aqui na Divisão de Homicídios e serão periciadas", disse o delegado ao Bom Dia Rio.

Durante a perícia, os agentes encontraram marcas de tiros em diversos pontos do local onde ocorreu o confronto. "Demoramos oito horas para fazermos essa perícia para que pudéssemos entender melhor a dinâmica do evento. Encontramos tiros em árvores, encontramos nos postes e no muro. E aí deu para ter uma dimensão do que aconteceu naquele local".

Célia Maria Santos Peixoto morreu na porta do Cemitério do Caju%2C na tarde de segunda-feira%2C atingida por uma bala perdida durante tiroteio entre PMs e bandidosJoão Laet / Agência O Dia

Segundo o delegado, o homem que foi encontrado morto na Vila Boa Esperança estaria no carro junto com os traficantes que trocaram tiros com os PMs.

Vítima visitava túmulo do neto todo dia 1º

Há cerca de um ano, a família de Célia Maria repetia o ritual de visita todo dia primeiro, quando o acidente fatal vitimou o neto Alexandro Lima, de 14. O filho Márcio, em estado de choque, disse não ter percebido a presença de nenhum carro e viu os policiais atirando. Outra filha de Célia, Ana Carolina Peixoto, 28 anos, estava revoltada.

"Meu irmão viu a viatura e ouviu os tiros. Ele abraçou as duas (Monique e Célia) e se jogou no chão com elas, mas já era tarde. A pessoa é honesta a vida toda para acabar de baixo de um saco de lixo preto, com o rosto desfigurado. Minha irmã está banhada em sangue e a roupa do meu irmão está cheia de miolos", disse.

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