Por thiago.antunes
Rio - Para fazer um número cada vez maior de vítimas entre policiais militares, bandidos do Complexo do Alemão estão usando novas estratégias. Entre as táticas, os traficantes vêm equipando pistolas para dispararem rajadas de tiros ao invés de uma bala por vez. É desta forma que os criminosos disparam mais de 20 tiros em segundos com um simples toque no gatilho, e que deixaram quatro PMs da UPP Nova Brasília feridos segunda-feira à noite.
O comando da Polícia Militar já sabe que a técnica vem sendo cada vez mais utilizada pelas quadrilhas das comunidades do Alemão e Nova Brasília, principalmente nos becos, para atacar os policiais. As pistolas são mais fáceis de esconder sob roupas e mochilas que as armas de grosso calibre.

Apesar de nenhuma arma modificada ter sido apreendida ainda, há relatos de policiais e investigações da Inteligência. Segundo agentes, os bandidos substituem peças de pistolas comuns por mecanismos que fazem o efeito de rajadas. “As peças são adquiridas no Paraguai e, assim, eles andam com armas que dão muitos tiros de uma vez, como os fuzis, mas que podem ser facilmente escondidas”, contou um oficial da cúpula da PM.

Policiamento foi reforçado%2C nesta terça%2C no Alemão depois que quatro policiais foram baleados na segunda-feiraSeverino Silva / Agência O Dia

Depois de mais uma noite de confronto intenso, segunda-feira, o medo voltou às ruas do Alemão ontem. Cem alunos de uma creche ficaram sem aulas. A polícia reforçou o patrulhamento com 70 novos soldados e as tropas de elite, como os batalhões de Operações Especiais (Bope) e de Choque por tempo indeterminado.

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Mas a tragédia já estava anunciada horas antes: às 19h30 de segunda-feira, o Disque-Denúncia (DD - 2253 - 1177) repassou ao Comando de Polícia Pacificadora (CPP) o informe de que traficantes iriam invadir o conjunto de favelas. Segundo o relato, entre os criminosos que participariam do ataque aos PMs, estaria Luiz Cláudio Machado, o Marreta, um dos chefes da facção Comando Vermelho.

O criminoso fugiu da penitenciária Vicente Piragibe em 2012. “Recebemos denúncias de invasão todos os dias”, afirmou Zeca Borges, coordenador do serviço. A assessoria das UPPs informou que os PMs receberam mais de uma comunicação do DD sobre “bandidos armados que receberam ordens pra atacar PMs.” Com os quatro novos casos, chegou a 272 o número de PMs baleados em 2014. Levantamento do DIA publicado segunda mostrou que 74 policiais de UPPs foram feridos em serviço.

Policiamento no Complexo do Alemão está reforçado nesta terça-feira após quatro PMs ficarem feridos segunda-feira na Nova BrasíliaFoto%3A Severino Silva / Agência O Dia

Preso com drogas e bomba

O sargento Hércules Barbosa foi ferido por estilhaços na perna, às 18h de segunda-feira, quando a patrulha surpreendeu grupo de criminosos e trocou tiros. Jailson Pastro Pereira da Silva foi preso com drogas e uma bomba caseira.
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Quatro horas depois, os soldados Ximenes, Max Silva e Daniel Baltar foram feridos em confronto na localidade Largo da Vivi. Baleado no tórax, Ximenes deu entrada no hospital em estado grave. Ao ser transferido, a ambulância que o levava foi atingida por um Renault e capotou. O praça foi transferido para o Hospital da PM, no Estácio. Max foi atingido na cabeça após a bala de fuzil bater na parede e ricochetear. Ferido na perna e no rosto, Baltar foi operado.
Caveirão destrói carro

O Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgou nesta terça dados sobre a violência em comunidades ocupadas no primeiro semestre. Apesar de informar que os números caíram em relação ao mesmo período de 2008, na época, as UPPs ainda não existiam. No Complexo do Alemão, por exemplo, os roubos a pedestres subiram de seis no primeiro semestre de 2012 para 21 de janeiro a junho deste ano.

Morador afirma que blindado da polícia destruiu seu Monza ano 86Severino Silva / Agência O Dia

Além do medo, o confronto de segunda causou prejuízo material para o vigilante Eduardo Augusto Teodoro, de 42 anos, que teve seu Monza 1986 destruído, segundo o dono, por um blindado da PM. O morador denunciou o caso na ouvidoria ddo CPP.

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