Traficantes são indiciados por morte de guarda municipal na Maré

Vítima filmou atuação de bandidos do bando de Menor P. Investigações e prisões foram feitas pela 21ª DP (Bonsucesso)

Por O Dia

Rio - Super-heróis e personagens infantis distribuindo presentes no Dia das Crianças do ano passado para meninos e meninas do Complexo da Maré. A cena poderia ser encarada como um ato de solidariedade, se os personagens não fossem traficantes sanguinários. Era com essas atitudes que o bando de Marcelo Santos das Dores, o Menor P, comprava o silêncio dos moradores da região. E foi por filmar essa cena e outras de bandidos armados, que o guarda municipal William Mendes de Oliveira foi morto pelo bando com requintes de crueldade.

Bandidos vestidos de Batman e Capitão América na Maré%2C ano passadoReprodução

Dez integrantes da quadrilha, inclusive Menor P, foram indiciados e tiveram as prisões preventivas decretadas pela tortura e morte do guarda, em outubro do ano passado. Cinco criminosos já estão presos, inclusive, Menor P. De acordo com as investigações, conduzidas pela 21ª DP (Bonsucesso), a vítima era informante de policiais, inclusive do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e sua ação de filmagem foi descoberta pelos criminosos.

O bando foi indiciado por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver de William. Segundo o inquérito, a vítima teria filmado os criminosos da região, o que foi descoberto por eles. Menor P e seu irmão, Fabiano Santos de Jesus, o Zangado, passaram a tratar William como X-9 e o obrigaram a dizer isso pela comunidade da Vila dos Pinheiros. A vítima também foi forçada pelos bandidos a pedir perdão à própria mãe.

Antes de ser morta, a vítima foi amarrada e torturada com requintes de crueldade. Ainda segundo as investigações, Zangado teria “agradecido à Deus” por descobrir a filmagem. Testemunhas do crime contaram à polícia que Menor P dava gritos e rajadas de fuzil sobre a vítima, “como o personagem do filme Rambo”. A quadrilha fez disparos com a arma durante cinco minutos. Depois, levaram o que sobrou do corpo em um carrinho de mão e ocultaram.

O inquérito revelou ainda que a informação de que William colaborava com órgãos de segurança, foi vendida por um policial não identificado a Zangado pela quantia de R$ 50 mil. O guarda municipal gostava de praticar esportes e teria começado a filmar os criminosos por se revoltar com a destruição da ciclovia da comunidade pelo bando.

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