Marreta tinha empregada e vida de luxo em casa com piscina no Paraguai

Casa de dois andares também tinha ofurô e na garagem uma picape avaliada em R$ 120 mil

Por O Dia

Rio - Uma casa de dois andares com piscina, ofurô, um cachorro, na garagem uma picape avaliada em R$ 120 mil e a sua disposição uma empregada. Sair de casa, somente para ir ao mercado ou à peixaria. Uma vida reclusa, porém luxuosa, assim é definida pelo subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, Fábio Galvão, a vida que Luís Cláudio Machado, vulgo Marreta, levava no bairro de Ykua Sati, na cidade de Assunção, no Paraguai. Ele é apontado como o chefe da maior facção criminosa do Rio, o Comando Vermelho (CV).

Durante coletiva na sede da SSG, Fábio disse que Marreta foi preso após ter a casa cercada e tentar fugir pelo telhado, mas a estrutura não suportou o seu peso. O que dificultou a fuga do criminoso também foram as sequelas provocadas por um tiro de fuzil que levou em uma das pernas, o que motivou sua ida para o Paraguai para a realização de uma cirurgia.

Marreta era considerado o traficante foragido mais perigoso do RioDivulgação

A ação contou com o apoio da Secretaria Nacional Anti Drogas do Paraguai (SENAD/PY), que invadiu a casa atrás do bandido. Os agentes viajaram para o país na sexta-feira e monitoravam há quatro dias Luís Cláudio. O mandado de prisão contra ele saiu na noite desta segunda-feira.

"Ele optou em viver recluso e evitava circular no Paraguai, porém tinha uma vida luxuosa. Ele morava na casa com a empregada, a filha dela, um cachorro e a sua namorada", disse Fábio Galvão. Mensalmente, Marreta pagava um aluguel de 2,5 mil doláres. Também participou da coletiva o delegado regional de combate ao crime organizado em exercício da Polícia Federal Fabio Andrade. Na casa, também foram apreendidos 74 mil doláres, cerca de R$ 30 mil, além de uma quantia não contabilizada de Guarani, a moeda paraguaia. 

Marreta era um dos cinco bandidos que aterrorizavam o Rio comandando ataques a UPPs. Os outros quatro — 2D, Piná, Russão e Cadu Playboy já estão presos. Marreta é apontado como o chefe do tráfico em diversas comunidades do Rio, entre elas as de Jorge Turco, Barão, parte da Praça Seca, de Jacarepaguá e do Complexo do Lins. Apesar de não ser líder do crime no Complexo do Alemão, segundo o chefe do SSINTE, ele tem bastante influência na região, o que credita também a Marreta os ataques ocorridos nos últimos meses no Alemão.

De acordo com Fábio Galvão, há uma migração de bandidos do Rio para o Paraguai, onde eles conseguem viver sem levantar suspeitas e levam uma vida confortável.

?Portal dos Procurados oferecia R$ 5 mil pelo paradeiro do traficante

Líder do Comando Vermelho, Marreta controlava o comércio de drogas na região e é responsável pelo fornecimento de armas para os criminosos do CV. O Portal dos Procurados oferecia recompensa de R$ 5 mil por indicações que possibilitassem sua captura.

Portal Procurados oferece recompensa de R%24 5 mil por traficanteDivulgação

Conhecido pelo perfil violento, o traficante fugiu do Instituto Penal Vicente Piragibe, em dezembro de 2012, através de um túnel ligado à tubulação de esgoto do presídio. Antes da prisão, ele chefiava pontos de droga no Complexo do Alemão até a ocupação pelo Exército. Em liberdade, passou a circular por favelas dominadas pelo CV. Comandou o tráfico de drogas no Complexo do Lins até a instalação da UPP na área, em novembro do ano passado.

Antes mesmo da perda de território, passou a se envolver em confronto com facções rivais. Em outubro de 2013, um adolescente apreendido pela 32ª DP (Taquara) com três fuzis disse que o armamento seria entregue à quadrilha de Marreta. Segundo ele, o traficante teria assumido o controle do tráfico de drogas no Morro do Banco, na Barra da Tijuca.

Em novembro, a quadrilha de Marreta espantou rivais do TCP (Terceiro Comando Puro), que tentaram tomar o território dominado pelo CV no Morro do Urubu, em Pilares. No dia 30 de dezembro, voltou a entrar em confronto com a mesma facção rival ao orquestrar uma tentativa de invasão à favela do Muquiço, em Guadalupe.

Em agosto de 2011, ele foi preso em um apartamento na localidade denominada Mangueira 2. Com o traficante, foram apreendidos cerca de 6 kg de cocaína distribuídos em mais de 5 mil cápsulas. A droga, segundo a polícia, abasteceria o Morro Jorge Turco. De acordo com a investigação, o traficante estaria tentando reestruturar a quadrilha que agia no Complexo do Alemão antes da pacificação.

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