Réveillon faz preços atingirem níveis estratosféricos em Copacabana

Estacionamento em Copa chega a custar R$ 250 na noite da virada, e lata de cerveja, R$ 10

Por O Dia

Rio - Às vésperas do Réveillon, com a cidade apinhada de turistas, quem quiser curtir a praia ou passar a noite da virada em Copacabana tem de preparar o bolso. Os preços, que já eram chamados de surreais, atingiram níveis estratosféricos, com ‘espertalhões’ se aproveitando da alta temporada. Dependendo do sotaque do cliente, uma cerveja em lata nas areias da Zona Sul custa até R$ 10. Já uma vaga em estacionamento para a noite de Ano Novo chega aos incríveis R$ 250.

Nas areias de Copacabana%2C cadeiras de praia são alugadas por R%24 6%2C e uma cerveja em lata%2C dependendo do sotaque do cliente%2C sai a R%24 10André Mourão / Agência O Dia

Na Praia de Copacabana, os comerciantes não mostram constrangimento em utilizar ‘tabelas especiais’, com alta de mais de 50% nos valores. “O mar não está para assalariado!”, esbravejava a funcionária pública Sônia Dias, na manhã de ontem, em frente ao Copacabana Palace. No programa de luxo que se tornou um mergulho no mar, o aluguel de cadeira, que durante o ano gira em torno de R$ 4, passou a custar R$ 6, enquanto as famosas cangas estampadas com o mosaico das pedras portuguesas do calçadão, usualmente vendidas a R$ 25, já chegam a R$ 40. “É a hora de fazer o ‘pé de meia’ para o inverno”, ironizava um vendedor ambulante.

Quem pensa em guardar o carro nas redondezas da Praia de Copacabana deve pensar bem antes. Nas ruas, a prefeitura vai cortar vagas e, nos estacionamentos privados, os preços se parecem com os de diárias de hotéis. No GePark da Rua Xavier Silveira, reservas para a noite de Ano Novo chegam a R$ 250. No estacionamento Estapar, ligado ao Shopping Cassino Atlântico, o preço da vaga sai a R$ 200.

No estacionamento Estapar%2C no Posto 6%2C uma vaga para a noite de Ano Novo chega a custar R%24 200André Mourão / Agência O Dia

Os amigos e familiares da moradora de Copacabana Isabel Marques já desistiram de lutar por um lugar e mudaram de planos. “Eu nem convido mais. Ninguém quer se despencar de outro bairro para chegar aqui cedo, não ter lugar para estacionar, e pagar uma grana preta. Fora os gastos com bebidas e comidas ao longo da noite, né?”, disse.

Outros preços da noite da virada também amedrontam os frequentadores da região. “Já esperamos os tradicionais reajustes em bares e restaurantes. Isso é um assalto!”, reclama a decoradora Viviane Visentia. Frequentadora de longa data da festa, ela e a namorada, Letícia Cunha, bolam táticas para fugir, pelo menos, da cobrança de estacionamento. Param em outros bairros e vão andando até o local.

“Há um cardápio de preços diferentes nesta época do ano. Sei que já tem restaurante italiano cobrando R$ 48 na mesma garrafa de vinho que saía por R$ 28 antes do verão. É bom o cliente já ir preparado”, avisa o administrador Diego Paiva.

No Baixo Copa, nas ruas Domingos Ferreira e Bolívar, bares que cobravam R$ 5 na caldereta de chope passaram para R$ 5,50. As refeições também aumentaram.

O canal do Quebra-Mar despeja a água verde no mar da BarraMário Moscatelli

Mesmo com risco, trecho da Barra estava lotado de banhistas na água

Apesar do alerta da proliferação de cianobactérias na Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá, denunciada pelo DIA na edição de sábado, frequentadores da Praia da Barra nadavam pelas águas sem se preocupar na manhã de ontem. Sem aviso de perigo, o trecho entre o Quebra-mar e a Barraca do Pepê estava lotado.

A água parecia límpida. Porém, especialistas garantem que as microbactérias — que se proliferam com o calor e em ambientes com esgoto — são nocivas e invisíveis. “Não vi nenhuma placa ou sinalização indicando o perigo do banho”, justificou a dona de casa Joyce Cantaneras, que levou os três filhos para a praia.

De acordo com o biólogo Mário Moscatelli, a mancha verde que se espalha pelas lagoas “só diminuirá quando condomínios e comunidades próximas deixarem de despejar esgoto.”

Calor de 45 graus e tumultos na areia

Com sensação térmica de 45 graus e máxima de 40,1 graus, segundo o Instituto de Meteorologia, as praias do Rio lotaram ontem. Em alguns trechos da Zona Sul, como o Arpoador, pequenos tumultos assustaram banhistas e causaram correria, mas logo foram controlados pelo forte policiamento.

Por volta das 16h20, cerca de 15 adolescentes tentaram iniciar um arrastão no Arpoador, mas logo o grupo foi dispersado por PMs. Na correria, Luis Henrique Ribeiro, de 38 anos, deu o lazer em família por encerrado. “Mesmo com vários policiais na orla, isso ainda acontece. Nem com eles aqui estamos seguros. E esse é o segundo arrastão que nos faz correr hoje”, relata Luis, que estava com a esposa, o filho de 11 anos e os sobrinhos de 13 e 4 anos.

O medo de arrastões, no entanto, não afastou alguns turistas do local. A jornalista dinamarquesa Line Hadsbjerg, de 33 anos, e o marido levaram as filhas de 4 e 7 anos para aproveitar o dia de sol no Arpoador, apesar dos avisos sobre os riscos. “Fiquei encantada com a quantidade de pessoas juntas. Acho incrível essa interação que a praia proporciona. São diversas classes em um só lugar.”

Denúncias ao Procon do Rio

O Procon-RJ definirá hoje o esquema especial de vistorias para a virada do ano. De acordo com o coordenador de Fiscalização do órgão, Fábio Domingos, os aumentos extorsivos serão coibidos. “Já monitoramos os preços dos estacionamentos ao longo dos últimos meses e atuaremos na noite do dia 31.

O Código de Defesa do Consumidor proíbe que se tire proveito por conta de data. Comerciantes que apresentarem cardápios sem precificação ou mudanças também serão autuados”, afirmou. Mas os consumidores também poderão fazer denúncias através de aplicativo para smartphone.

O Meu Procon pode ser baixado gratuitamente na internet e, através de fotos feitas dos celulares, pode-se denunciar cobranças abusivas em tempo real. Quem preferir pode ligar para 151 dentro do horário de atendimento e relatar a irregularidade. Outra opção é acessar www.meuprocon.rj.gov.br. As sanções podem ir de multas até fechamento do estabelecimento em casos de reincidência. “O empresário precisa explicar o porquê daquele preço alto. É para isto que realizamos pesquisas periódicas”, explicou.

Últimas de Rio De Janeiro