Exército seguirá atuando no Conjunto da Maré até junho de 2015

Anúncio foi feito nesta terça pelo governador Luiz Fernando Pezão e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo

Por O Dia

Rio - O Exército continuará a atuar no Conjunto de Favelas da Maré, na Zona Norte, até junho de 2015. A medida, anunciada nesta terça-feira pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o governador Luiz Fernando Pezão, após reunião em Brasília. A decisão contraria a previsão inicial de que as tropas permaneceriam atuando na região somente até o fim deste ano. A proposta agora é de que PMs passem a substituir, aos poucos, os 2,5 mil militares do Exército, até junho do ano que vem.

O governador Luiz Fernando Pezão%2C ao lado do ministro da Justiça%2C José Eduardo Cardozo%2C anunciou nesta terça-feira%2C em Brasília%2C a permanência do Exército na MaréDivulgação

“Chegamos a um entendimento, e decidimos prorrogar a permanência das Forças Armadas na Maré”, disse Cardozo, lembrando que, de acordo com o pedido inicial do governo do Rio de Janeiro, a “ocupação militar preliminar da área” serviria para antecipar e preparar a comunidade para a futura instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Quando a permanência militar foi prorrogada pela primeira vez, em agosto, ficou acordado que os cerca de 2,5 mil militares que desde abril reforçam a segurança na Maré começariam a deixar o local a partir desta quarta-feira, dia 31, quando as forças estaduais de segurança assumiriam o controle.

Segundo o governador fluminense, problemas na contratação de novos policiais atrasaram o cronograma, exigindo que os militares permaneçam por mais tempo no local. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, as primeiras UPPs começarão a ser instaladas no dia 2 de abril de 2015.

Pelo novo acordo, todo o efetivo militar deverá permanecer no complexo até o fim de março. A partir do começo de abril e até o final de junho, os militares serão gradualmente substituídos por policiais. De acordo com Pezão, 1,5 mil PMs se encarregarão da segurança do complexo após o fim do período de transição, em julho. Os primeiros 100 policiais militares se apresentarão ao comandante responsável pela operação militar já nos próximos dias.

“A gente só consegue avançar no combate à criminalidade, no Rio de Janeiro, com esta cooperação”, declarou Pezão, agradecendo a prorrogação da permanência militar e garantindo mudanças na segurança pública a partir do primeiro dia de 2015.

Tropas do Exército permanecerão no Conjunto de Favelas até junho de 2015Carlos Moraes / Agência O Dia

“Temos diversas mudanças para anunciar. Estamos entrando com uma nova visão, reavaliando as UPPs, mudando o comando da Polícia Militar e de toda a área de segurança da PM. Tomaremos uma série de medidas para reforçar o policiamento nos locais onde ainda sabemos que há problemas”, ressaltou.

Embora tenha sido anunciado nesta terça, em Brasília, o acordo só será oficializado no dia 7 de janeiro, depois que o atual governador da Bahia, Jaques Wagner, assumir o Ministério da Defesa. Presente ao anúncio, o general do Exército, José Carlos De Nardi, destacou a necessidade de as tropas locais de segurança assumirem a vigilância, já que segurança pública não é a prioridade das Forças Armadas.

“É importante que a Polícia Militar e a segurança do estado assumam sua responsabilidade. Por isso, estamos ficando até junho, para que haja esse período, no qual, pouco a pouco, passaremos a responsabilidade ao estado, que tem a responsabilidade de cumprir sua missão", disse De Nardi, revelando que o novo acordo estabelece que junho será o prazo final, definitivo, para a presença das tropas do Exército na Maré.

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