Pezão faz novo acordo com a União para prorrogar uso das tropas em favelas

Exército vai ficar na Maré até junho

Por O Dia

Rio - O clima de tensão que ainda domina o Complexo da Maré somado aos trâmites na contratação de novos policiais militares pelo Governo do Estado fez com que o governador Luiz Fernando Pezão pedisse à União a permanência do Exército no local até junho do ano que vem. O acordo entre as duas esferas de poder previa a saída dos militares nesta quarta-feira, dia 31 de dezembro.

Pelo novo acordo, o terceiro entre as partes, o Exército permanecerá na comunidade apenas no primeiro semestre de 2015, sendo que a partir do fim de março começarão as trocas gradativas das tropas federais pelas da PM. Pezão, que se reuniu nesta terça em Brasília com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, justificou a mudança de planos.

Militares estão no conjunto de favelas da Maré desde 5 de abril%3A a partir de março%2C tropas começam a ser substituídas gradativamenteSeverino Silva / Agência O Dia

“A gente só consegue avançar no combate à criminalidade, no Rio de Janeiro, com esta cooperação. Temos diversas mudanças para anunciar. Estamos reavaliando as UPPs, mudando o comando de toda a área de segurança. Tomaremos uma série de medidas para reforçar o policiamento nos locais onde ainda há problemas”, disse Pezão, após a reunião com Cardozo.

As responsabilidades

O general José Carlos De Nardi, chefe do Estado- Maior Conjunto das Forças Armadas, no entanto, lembrou que o Estado do Rio deve assumir o quanto antes a responsabilidade pela segurança na Maré.

O governador Luiz Fernando Pezão%2C ao lado do ministro da Justiça%2C José Eduardo Cardozo%2C anunciou nesta terça-feira%2C em Brasília%2C a permanência do Exército na MaréDivulgação

“É importante que a Polícia Militar e a segurança do Estado assumam sua responsabilidade. Por isso, estamos ficando até junho, para que haja esse período, no qual, pouco a pouco, passaremos a responsabilidade ao Estado, que tem a responsabilidade de cumprir sua missão”, disse o general.
O ministro enalteceu ter chegado a um entendimento com o governador Pezão, mas também fez questão de destacar que o acordo inicial era para uma ocupação temporária das tropas militares na Maré.

Região tem sido um grande desafio às forças de pacificação

A demora na contratação de novos policiais militares foi a justificativa oficial dada pelo governador Pezão para pedir a permanência das tropas do Exército no Complexo da Maré, mas o fato é que até o momento ainda não houve pacificação na região. No mês passado, o soldado do Exército Michel Augusto Mikami, de 21 anos, morreu ao ser atingido por um tiro na cabeça durante um confronto com bandidos quando participava de um patrulhamento de rotina na comunidade Vila dos Pinheiros.

Um ataque de traficantes no mesmo dia fez com que um tanque blindado caísse no canal da Avenida Dois, no Conjunto Esperança. A Força de Pacificação está na Maré desde o dia 5 de abril, quando 2.700 militares ocuparam as 15 comunidades do complexo de favelas. Os confrontos, no entanto, têm sido frequentes e vêm assustando os moradores da comunidade. Desde abril foram presas mais de 400 pessoas, além 158 menores apreendidos, sem contar drogas, veículos, armamento e muita munição.

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