Aumento nos ônibus intermunicipais vai complicar mais as finanças do estado

Secretaria de Fazenda estimou em R$ 600 milhões o valor que será gasto em 2015 para cobrir a diferença entre o BIlhete Único e o preço das passagens

Por O Dia

Rio - O aumento de 12,46% nas tarifas dos ônibus intermunicipais vai complicar ainda mais as combalidas finanças do estado, que subsidia o Bilhete Único (BU).

Depois da divulgação do reajuste, a Secretaria de Fazenda estimou em R$ 600 milhões o valor que será gasto em 2015 para cobrir a diferença entre o BU intermunicipal e o preço das passagens — R$ 131 milhões a mais que os R$ 468,856 milhões previstos, em setembro, no projeto da Lei Orçamentária. Em 2014, o custo deverá ser de R$ 519 milhões.

Corte relativo

Ontem, no Informe, Pezão citou as dificuldades de caixa do estado e anunciou muitos cortes. “Vou cortar tudo”, disse.

Portaria inédita

No dia 17, Pezão autorizou o presidente do Detro, Alcino Rodrigues, a baixar portaria que reajustava as passagens em 6,56%. A conversa foi no gabinete de Rodrigues, antes da inauguração da nova sede do órgão. Enviada para o Diário Oficial, a portaria não foi publicada.

Conta salgada

Ontem, Rodrigues contou que, na última segunda, estava no interior e foi chamado para um encontro com Carlos Roberto Osório, que assume amanhã a Secretaria Estadual de Transportes. Segundo o presidente do Detro, na reunião, realizada num restaurante do Centro, Osório (que ainda não ocupa qualquer cargo no governo) determinou, em nome de Pezão, que ele assinasse a nova portaria com o índice de 12,46%.

Presentão

Futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy estava nos EUA quando o estado e a prefeitura anunciaram os aumentos de passagens, que pesarão na inflação. O economista Gilberto Braga estima que o impacto no custo de vida do carioca chegue a 0,4%.

Subsídio sem compensação

Os empresários tiveram ganho adicional com o Bilhete Único. Graças ao benefício, mais pessoas — 4,4% ao ano, segundo a Fetranspor — passaram a usar ônibus, que ficaram mais cheios. A lei, porém, não prevê um mecanismo que compense o estado pelo aumento de passageiros.

Pior: quanto mais gente passa nas roletas, mais o estado gasta (usuários do BU cresceram 50% desde 2010). Está parado na Alerj projeto do deputado Luiz Paulo (PSDB) que prevê a redução do subsídio de maneira proporcional ao aumento de passageiros.

Últimas de Rio De Janeiro