Papa homenageia o Rio e faz críticas à desigualdade social na cidade

Nas areias, festas lotaram a praia queima de fogos emocionou. Uma das balsas de onde foram lançados os fogos pegou fogo

Por O Dia

Rio - Memorável. Talvez seja essa a palavra que melhor resuma o maior Réveillon do mundo, que reuniu cerca de 2 milhões de pessoas na Praia de Copacana. Os 16 minutos e 50 segundos da queima de fogos saudaram o ano de 2015, quando o Rio de Janeiro completa 450 anos. E, para abençoar a Cidade Maravilhosa, nada menos que uma mensagem de parabéns do Papa Francisco.

Espetáculo durou 16 minutos e emocionou dois milhões de pessoas na Praia de CopacabanaFernando Souza / Agência O Dia

“Quatrocentos e cinquenta anos já representam uma venerável história; a história de um povo corajoso e alegre que nunca se deixou abater pelas dificuldades. Deus habita na cidade! Que esta luz, iluminando a cidade do Rio de Janeiro, se espalhe por todo o Brasil”, disse o Pontífice.

Ainda em sua mensagem, o papa também aproveitou a oportunidade para falar aos cariocas sobre os problemas sociais evidentes na cidade: "É inegável que, do alto do Corcovado, percebemos igualmente as contradições que mancham esta beleza (natural). Por um lado, o contraste gerado por grandes desigualdades sociais: opulência e miséria, injustiças e violência."

"Por outro, temos o que poderíamos chamar de cidades invisíveis, grupos ou territórios humanos que possuem registros culturais particulares. Às vezes parece que existem várias cidades, cuja coexistência nem sempre é fácil numa realidade multicultural e complexa. Mas, diante deste quadro, não percamos a esperança! Deus habita nesta cidade!", afirmou o papa na mensagem ao Rio de Janeiro.

O papa por fim convoca os cariocas a superarem as divisões através do "diálogo construtivo", e encerra a mensagem pedindo ao povo brasileiro que reze por ele.

Shows

Os artistas se dividiram em três palcos a partir das 18h. Entre as principais atrações: Seu Jorge, Maria Rita e Titãs. Depois de mais um dia de calor, o clima também favoreceu o espetáculo pirotécnico e o céu estava claro na hora da virada. Fora do planejado, apenas uma das 11 balsas que dispararam os fogos do mar acabou incendiando, mas sem feridos ou maiores problemas.

Show de luzes e cores tomou o céu de CopacabanaFernando Souza / Agência O Dia

Do ponto de vista da Segurança, o comandante do 19º BPM (Copacabana), Ronaldo Santana, confirmou que houve alguns furtos e brigas sem maiores proporções, o que considerou natural em um evento deste porte. Apenas dois menores foram apreendidos por furto.

Festa deu início as celebrações dos 450 anos da cidade do Rio de JaneiroErnesto Carriço / Agência O Dia

O carpinteiro André de Barros foi um dos primeiros a chegar para a festa em Copacabana. Por volta das 6h, ele já tinha garantido um lugar bem em frente à grade do palco principal. “Faço isso há 20 anos”, contou.

Na Penha%2C o show pirotécnico coloriu o céu tendo a igreja ao fundoAlexandre Brum / Agência O Dia

Há 11 anos, um grupo de amigos da Tijuca preserva a mesma tradição: vão juntos agradecer pelo ano que chegou ao fim e evocar bons sentimentos para o vindouro. “A gente sempre chega no finalzinho da tarde e fica até as 4h da manhã. O Réveillon em Copacabana é mágico", disse a fisioterapeuta Adriana Soutto, 45 anos. Karina Haui, 23, enteada de Adriana, foi a única que destoou na escolha da cor das flores. Enquanto todos levaram palmas brancas e amarelas, simbolizando paz e riqueza para 2015, ela optou pelas de cor rosa. "Quero muito amor para o mundo", destacou.

Mas nem tudo foram flores. Estacionar o carro na Zona Sul foi tarefa exaustiva e bem cara durante o dia. Os preços subiram até 12 vezes, em comparação aos dias normais.

O estacionamento Focus Park, por exemplo, cobrava R$ 190, o pernoite de 12h — nos outros dias o valor é de R$ 15. Porém, todas as vagas estavam cheias. “Tá tudo lotado desde 8h30, entra um carro e sai outro”, afirmou um funcionário que pediu para não ser identificado.

A turista Pâmela Soares, de 28 anos, que veio de Juiz de Fora, ficou abismada com os valores. “Lá em Minas não cobram mais caro por ser Réveillon não”, reclamou.

Com informações da Reuters




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