Usar a bike é missão de risco no Maracanã

Nossa equipe percorreu a ciclofaixa da região e flagrou um verdadeiro festival de irregularidades

Por O Dia

Rio - É fato: a bicicleta tem assumido papel de destaque mundo afora quando o assunto é mobilidade urbana. No Rio de Janeiro também já se percebe um movimento para que essa ‘moda’ pegue, mas por aqui quem decide usar a bike como meio de transporte ainda tem que conviver com o desrespeito de alguns motoristas de carros de passeio, ônibus e caminhões. Depois da denúncia de um leitor, a equipe do DIA foi conferir um pouco dos problemas de quem usa as ciclofaixas na região do Maracanã e da Tijuca.

Por cerca de 40 minutos, flagramos vários veículos e até moradores de rua impedindo o caminho dos ciclistas. No trecho entre as ruas Isidro de Figueiredo e Avenida Maracanã, era preciso se arriscar e disputar espaço fora da área segregada em uma parte da Rua Professor Eurico Rabelo. 

Com veículos parados sobre a faixa seletiva%2C ciclista vai para área dos carrosDaiene Mendes / Agência O Dia

Durante a ‘blitz’ da equipe do DIA, uma van com as portas traseiras abertas descarregava materiais para um condomínio. O veículo estava estacionado à sombra e ocupando toda a ciclovia. Seguindo pela Rua Eurico Rabelo, na altura do Motinha Bar, dois caminhões (um de uma distribuidora de biscoitos e o outro de uma distribuidora de bebidas) realizavam entregas nos bares e depósitos que ficam em frente ao Maracanã. Dois carros de passeio também estavam estacionados irregularmente. Até um morador de rua aproveitava a sombra da árvore para descansar com as pernas esticadas na ciclovia.

O estudante Caio Guterres, 18, mora bem perto do estádio e usa a faixa segregada para se locomover, geralmente, de skate. “Deveria ter multa para quem estaciona na ciclovia. Não vejo fiscalização por aqui”, afirmou.

Na região da Tijuca existem cerca de 15 estações para retirada de bicicletas do projeto Bike Rio, desenvolvido pela prefeitura com o banco Itaú. Porém, o estacionamento irregular desmotiva o aposentado Rogério Souza, 57. “No trajeto que realizo, 90% não têm ciclovia, e onde tem, vejo carros e até caminhões estacionados. Gosto de andar de bicicleta, mas as pessoas não respeitam o ciclista. Aí, para não me irritar, uso o carro na maioria das vezes”, disse o morador do bairro do Riachuelo.

À sombra de uma árvore%2C morador de rua descansa tranquilamente%2C impedindo a circulação de bicicletas Daiene Mendes / Agência O Dia

De acordo com a Guarda Municipal, a região recebe fiscalização constante do 2º Grupamento Especial de Trânsito da Zona Norte. O órgão informou que 400 multas foram aplicadas em 2014 somente ao longo da Rua Professor Eurico Rabelo.

Segundo a prefeitura, nos últimos quatro anos a malha cicloviária mais que dobrou, chegando aos atuais 370 km. A meta é atingir 450 km até 2016, distribuídos em todas as regiões, possibilitando que o ciclista saia de casa pedalando ou alugue uma bicicleta. Outro estímulo ao uso de bikes foi a criação de mais de mil bicicletários.

Motoristas flagrados nas ciclovias receberão multa de R$ 127, 69

O problema que atinge os ciclistas não é exclusividade da Zona Norte. A prefeitura lançou a operação Verão na Orla para tentar coibir esse tipo de abuso também na Zona Sul. Até 2017, monitores vão percorrer as praias do Rio e escolas para orientar a população.

Além do estacionamento irregular de automóveis, caminhões e motocicletas sobre a via, eles vão explicar que é proibido o trânsito de pessoas e de animais, exceto nos pontos de travessia de pedestres. Pedalar na ciclovia pela contra-mão e entrar, circular ou estacionar veículo de vendedor ambulante no local também não será permitido. Condutores flagrados cometendo a infração, considerada grave, ganham cinco pontos na carteira de habilitação. A multa para quem estacionar sobre a faixa é de R$ 127,69 e o veículo poderá ser removido.

Multas não inibem ação de infrator

O aplicativo da Google Street View, que permite vistas panorâmicas, mostra com frequência o trecho da rua Professor Eurico Rabelo com veículos parados sobre a ciclovia. Ao deslizar na linha do tempo, o aplicativo registra, em abril de 2014, dois táxis e uma Fiat Strada; em agosto de 2014, uma Elba e a mesma Fiat Strada. Em setembro de 2014, é possível ver a mesma Fiat Strada estacionada em frente ao Bar e Lanchonete dos Esportes, fechando a faixa exclusiva para ciclistas.

Em abril%2C este Fiat Strada foi fotografado parado na ciclovia. Em agosto%2C o mesmo carro foi novamente flagrado. Em setembro%2C motorista voltou a cometer a mesma infraçãoReprodução Internet

Pesquisa feita pelo sistema de controle de infrações de trânsito, da Prefeitura, revela que a placa do veículo Fiat Strada possui nove multas no mesmo local. As notificações alternam entre estacionamento sobre a ciclovia ou ciclofaixa e estacionar no passeio. Todas as multas foram aplicadas durante o ano de 2014.

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