Eduardo Paes, o cobiçado

Enquanto o PMDB não se decide, partidos fazem planos para abrigar o prefeito e seu pupilo

Por O Dia

Rio - Todos desejam Eduardo Paes. Ao menor sinal de divórcio entre o prefeito e o PMDB, outros partidos já se assanham para abrigá-lo, junto com seu candidato à prefeitura em 2016, o deputado federal Pedro Paulo. Prestigiado pela presidenta Dilma Rousseff (PT) após as eleições, com diversas obras para inaugurar no final do mandato e às vésperas das Olimpíadas, não há aumento de passagem de ônibus que diminua o capital político adquirido pelo prefeito.

Siglas como DEM, PP, o futuro PL e o PSD dizem estar à disposição da dupla, que seria bem-vinda também no PTB e no PT — ambos já manifestaram o bom grado em recebê-los. A reaproximação de Paes do DEM, de Cesar Maia, de quem foi pupilo, vem sendo construída desde o ano passado. Eles romperam em 2008, quando o atual prefeito se lançou candidato pelo PMDB e passou a atacar a administração do ‘mentor’. Ao DIA, em novembro, o vereador disse que era uma “vitória” ter “criado” Paes. Este, por sua vez, confidenciou a interlocutores ter sido procurado pelo antigo mestre e iniciado a reconciliação.

Prefeito quer lançar o deputado federal Pedro Paulo como sucessor%2C mas enfrenta resistência no PMDBAlessandro Costa / Agência O Dia

Presidente do DEM e candidato derrotado à prefeitura em 2012, o deputado federal Rodrigo Maia estendeu as mãos ao prefeito e a Pedro Paulo. “Somos próximos, conversamos toda semana. Não há rejeição, mas é preciso saber antes se o Paes vai sair do PMDB”. Cesar, porém, foi econômico, ontem: “A única decisão do DEM é não ter candidato”.

No PDT, a mera menção ao nome de Eduardo Paes expõe — outra vez — o racha entre a família de Leonel Brizola e Carlos Lupi, atual chefe da legenda. “O PDT está escancarado para eles. É um grande prefeito, tem grande aceitação popular. Acho que, no fim, o PMDB e ele vão se acertar. De qualquer forma, o PDT vai recebê-lo muito bem”, afirmou Lupi.

O vereador Leonel Brizola Neto discorda: “Meu avô deve estar se debatendo no túmulo. PMDB e Paes são a antítese do que ele defendeu a vida toda. O problema é que o Lupi decide tudo no partido.” Em conversa com Paes para assumir alguma secretaria, o PSD se coloca como alternativa, embora negue algo em curso. “O relacionamento é muito bom e sempre estaremos abertos ao diálogo”, diz Índio da Costa, presidente da sigla no Rio.

PL será aliado de Dilma

A iniciativa de refundar o PL e obter o registro no TSE já no mês que vem ganhou força com a entrada do PSD na base aliada do governo federal e com a chegada de Gilberto Kassab, presidente do partido, ao Ministério das Cidades. A meta é atrair aproximadamente 30 deputados federais e três ou quatro senadores com mandatos oriundos de outras legendas.

Os remanescentes do PL, inconformados com a fusão com o Prona em 2006, vinham recolhendo assinaturas desde 2007, mas foi a entrada de Kassab na campanha da presidenta Dilma que colocou a refundação do partido na ordem do dia.

O presidente nacional do PL, o ex-deputado goiano Cleovan Siqueira Amorim, admite que a vontade de Kassab deu novas forças ao processo, que já tem recolhidas 400 mil assinaturas, todas cartoriadas diz ele. “Serão 500 mil assinaturas até o final de janeiro”.

O presidente nacional do PL diz que vem conversando com Kassab e que a fusão só depende dos rumos e da efetivação ou não de uma reforma política. Questionado sobre o fato de parlamentares da oposição serem alguns dos entusiastas do surgimento do PL, Cleovan Amorim garante que a nova sigla será de centro e pertencerá à base aliada. “Não temos o que esconder. Kassab não pediu ministério no primeiro governo de Dilma, mas agora ele participa, e é com ele que estaremos”, afirma Amorim.

Colaborou Eduardo Miranda

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